Ensinando a envelhecer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Fabiano Camargo 
Marcelo AlmeidaBaseado no estudo dos hábitos Kaigangues, o médico Moysés Paciornik prega a ginástica Kaigangue como fórmula para um envelhecimento mais sadioMuitas doenças e problemas físicos associados à velhice estão chegando cada vez mais cedo para o homem moderno. Calvice, cabelos brancos, dores na coluna, incontinência urinária, rugas precoces são apenas algumas destas ocorrências. Segundo o médico Moysés Paciornik, grande parte do envelhecimento precoce do corpo pode ser evitado com alguns conhecimentos baseados nos costumes dos índios kaigangues. Dentro de um conceito que qualifica a sociedade moderna como a civilização do descanso, o médico condena cadeiras e vasos sanitários convencionais.
É isto que Paciornik, conhecido defensor do parto de cócoras, ensina no livro Aprenda a envelhecer sem ficar velho, editado pela Secretaria de Estado da Cultura. Como seria impossível banir as cadeiras e os vasos sanitários da nossa sociedade, o autor apresenta alguns exercícios, batizados de ginástica Kaigangue, que podem compensar os males do excesso de repouso pelo qual o corpo do homem moderno passa, garantindo um evelhecimento mais saudável. A técnica tem aval da Secretaria de Saúde do Estado, que planeja adotá-la.
Não é possível que a natureza tenha feito um corpo tão estragável como o corpo do homem civilizado, diz Paciornik. A velhice começa depois dos 75 anos. Antes disso, o indivíduo é considerado maduro, e não velho, conforme classificação da própria Organização Mundial da Saúde. O médico enumera uma série de problemas que aparecem cada vez mais em pessoas com menos idade, desde calvice, cabelos brancos, prisão de ventre, hemorróidas, varizes, celulite, incontinência urinária e problemas de coluna até ocorrências mais graves como enfartes e derrames cerebrais, além de distúrbios sexuais.
Estudioso da cultura indígena há mais de 30 anos, Paciornik diz que grande parte disso tudo acontece por culpa de dois hábitos de origem européia: sentar em cadeiras e utilizar vasos sanitários altos. Somos a civilização dos povos sentados, do descanso. Abanca-se para quase tudo. E isto já começa com os bebês, que são obrigados a usar os penicos, diz Paciornik. Depois, vem as carteiras das salas de aula. Senta-se no carro, no ônibus, para trabalhar, para conversar....
Segundo ele, toda esta acomodação é prejudicial: Uma lei básica da medicina explica: todo o órgão que trabalha fica forte, enquanto aquele que fica em repouso muito prolongado enfraquece. Para compensar o repouso excessivo que a modernidade trouxe, Paciornik diz que não é necessário jogar fora nossos bancos, cadeiras, poltronas e outros móves, basta praticar o que ele batizou de ginástica Kaigangue. Na verdade, esta ginástica tem apenas dois exercícios, adaptados de movimentos do dia-a-dia das índias. A técnica surgiu do estudo do cotidiano das Kaigangues e da constatação de que este povo não sofre de todos os problemas já citados. O primeiro movimento baseia-se na posição de cócoras, como os índios descansam. O segundo imita a posição que as índias tomam para levantar seus filhos e carregá-los nas costas.
A recomendação da ginástica Kaigangue, observa Paciornik, não colide com as clássicas modalidades de ginástica. O bom estado físico das índias tem mais causas que o baixar e levantar. Elas praticam muito exercício, caminhando, subindo e descendo morros, na procura de caça e na coleta de frutas e lenha seca.
Complementando suas idéias, Paciornik também recomenda a utilização de vasos sanitários baixos, que requerem a posição de cócoras, e o fim das carteiras nas salas de aula. Ele recomenda que as crianças sentem no chão, usando suportes especiais para escreverem nesta posição. Escolas municipais de curitiba já adotaram o sistema e, na Europa, esta tendência também vem crescendo.
Outra dica para evitar doenças que Paciornik recomenda no livro é o cuidado na alimentação. Segundo ele, deve-se evitar carne com muita gordura e excessos de farinha, açúcar e sal.


