Ensaio aberto no Largo da Ordem
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Diferente de outras capitais mais quentes, onde a folia parece estar impressa no DNA dos seus habitantes, o carnaval de Curitiba já foi apontado como um dos mais desanimados do Brasil, um destino ideal para aqueles que desejam fugir dessa festa popular. Essa impressão já virou até piada na coluna do humorista José Simão, que afirma ser o pior programa de carnaval passar em Curitiba com a namorada menstruada e a sogra.
Maldades à parte, essa impressão talvez se deva ao desconhecimento da energia e da empolgação da turma dos Garibaldis & Sacis, bloco pré-carnavalesco que há mais de dez anos faz a alegria dos domingos que antecedem os quatro dias de carnaval. Do dia 11 de janeiro até 15 de fevereiro o grupo coloca o bloco na rua - literalmente - levando para o Largo da Ordem, centro histórico da capital paranaense, marchinhas, funks, maracatus e muito samba. É o famoso "ensaia mas não sai", que brinca na véspera mas não nos dias da festa.
Prova de que a impressão sobre o desânimo curitibano é equivocada é que no último domingo dezenas de pessoas saíram de casa debaixo de chuva para brincar carnaval com os Garibaldis & Sacis. A atriz Alessandra Flores tratou de arrumar até uma fantasia para a ocasião. Juntou pedaços de fantasias usadas no carnaval do Rio de Janeiro, improvisou com algumas peças que tinha em casa e foi para a rua vestida de vermelho e amarelo, as cores do grupo. "Dançar na rua vestindo o que você quiser é uma libertação", comemora.
Baiana de nascimento, ela afirma que o pré-carnaval curitibano não deixa nada a desejar às festas de outras cidades. "Só São Pedro fica devendo", brinca, referindo-se à chuva que não deu trégua aos foliões. Para ela, o melhor da festa dos Garibaldis é o fato de ser um evento comunitário. "Você encontra os amigos e quando faz sol também pode levar seus filhos e até sua avó", diverte-se.
Também o estudante paulista Bruno San Roman, 21 anos, não desanimou com o tempo feio. Com o guarda-chuva nas mãos ele pulou e cantou com vontade as antigas marchinhas carnavalescas que o grupo executou, como "Vai com jeito", ou "Marcha da cueca". "Pena que essa brincadeira só aparece no pré-carnaval", lamenta o folião, que promete comparecer à festa nos próximos domingos.


