Enquanto sonha com títulos, LEC quer pagar as contas
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2001
Guilherme Gouveia<br>De Londrina 
Mesmo eliminado na primeira fase das duas competições que disputou neste ano Campeonato Paranaense e Brasileiro da Série B, o Londrina conseguiu montar um time competitivo e conquistar, de certa forma, o respeito de sua exigente torcida. Seguindo um enredo muito semelhante, o Tubarão naufragou na última rodada dos dois campeonatos, provando que ainda não tem estrutura e elenco para chegar na frente em competições longas e de alto nível. A campanha do Brasileiro, no entanto, foi muito superior se comparada a da Copa Havelange Módulo Amarelo, quando o clube amargou a lanterna de seu grupo.
O presidente do clube, Agostinho Miguel Garrote, 48 anos, um apaixonado desde criança pelas cores do Londrina, considera a vinda do técnico Freitas Nascimento como o ponto de partida para a recuperação da moral e da auto-estima do clube. ''O time andou demais depois da chegada do Freitas. Com sua competência, honestidade e profissionalismo, ele conquistou a confiança de todos do clube''. Garrote fala do treinador com muito respeito e admiração. ''Ele era praticamente um desconhecido. Sempre vinham com a frase: 'Quem é esse tal de Natalício?' No Paranaense, sem mudar o plantel de jogadores, ele conseguiu se recuperar durante o campeonato e quase classificar o time'', diz.
O presidente, no entanto, se esquivou quando perguntado sobre a permanência do treinador, que recentemente completou um ano de casa, para a temporada de 2002. ''Isso vai depender na nova diretoria. Se depender de mim ele fica por muito mais tempo'', confidencia. Especulações veiculadas pela imprensa revelam que Freitas Nascimento recebeu propostas de clubes de Curitiba.
Garrote desmente a tese de que o Londrina tenha entrado nas competições apenas para participar. ''Entramos para brigar pelo título. Os jogadores precisam ter objetivos quando entram em uma competição e o nosso sempre foi chegar o mais longe possível'', garante.
Quanto a alcançar resultados mais significativos títulos, por exemplo, Garrote avisa que para isso acontecer o clube precisa primeiro sanear suas dívidas trabalhistas e tributárias, avaliadas hoje em R$ 3 milhões. ''Enquanto não pagar as dívidas é difícil pensar em grandes conquistas. Hoje pode ser utopia pensar em liquidá-las de uma vez. Mas vejo a possibilidade delas serem pagas aos poucos'', considera. Ele fala com tristeza das vezes em que oficiais de justiça, parados na porta da bilheteria do Estádio do Café, confiscaram a renda obtida em jogos de bom público. Segundo ele, o problema financeiro impede que empresas interessadas em parcerias procurem a diretoria do clube. ''Se o Londrina quiser se tornar um clube/empresa tem que pagar as dívidas e começar do zero''.
Uma das saídas para a crise financeira instalada pode ser a parceria do LEC com o Londrina Junior's Team, que paga as despesas das categorias de base do clube. ''A curto prazo eu vejo as categorias de base como único mecanismo para tirar o Londrina dessa situação. O clube tem direito a 50% dos investimentos nos garotos das equipe do infantil, juvenil e junior''. Hoje são aproximadamente 60 jogadores na três categorias.
Mesmo que o Londrina ganhe o Torneio Seletivo e se classifique para a Copa Sul-Minas, ainda há indefinição sobre o futuro do atual elenco. Destaques como os atacantes Nem e Gil e os meia Sidclei e Edmílson podem deixar a equipe no próximo ano. ''Volto a dizer que tudo vai depender da nova diretoria. A intenção, caso o time se classifique, é manter a base e contratar alguns outros bons jogadores. Mas tudo isso vai depender de quanto o time terá para investir'', finalizou.


