Quem procurar a Lapa para emagrecer ou ''desestressar'', deve reservar pelo menos um dia para conhecer um pouco da cultura e tradições da primeira cidade paranaense a ter o seu Centro Histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1998.
A cidade da Lapa originou-se de um pequeno povoado às margens da antiga estrada da mata - uma parte do histórico caminho que ligava Viamão (RS) a Sorocaba (SP). Um desses conhecidos ''pousos'' dos tropeiros recebeu a denominação de Capão Alto, no ano de 1731, quando a capitania de São Paulo criou um registro para cobrança de pedágio de gado que transitava à margem do Rio Iguaçu. Passaram-se muitos anos e outras denominações até surgir o nome Lapa. Em sua história, o município foi palco do Cerco da Lapa, em 1893, importante episódio da Revolução Federalista, com o confronto entre as tropas republicanas e federalistas.
Seguindo esse roteiro histórico, vale a pena dar uma esticada a Paranaguá (cerca de 150 km), que no início de dezembro também teve o seu Centro Histórico tombado pelo Iphan. Quatro monumentos já haviam sido tombados anteriormente pelo instituto: o Colégio dos Jesuítas, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas e a Igreja de São Benedito. Paranaguá foi a primeira cidade do Paraná.
A área reconhecida e protegida como patrimônio nacional pelo Iphan abarca todo o núcleo mais antigo da cidade, indo desde a Igreja de São Benedito, na Rua Conselheiro Sinimbu, até a Rua Visconde de Nácar. Esse trecho reúne importantes exemplares da arquitetura colonial brasileira, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, o Colégio dos Jesuítas, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, além da antiga Rua da Praia.
Segundo a assessoria de imprensa do Iphan, são várias as vantagens para o município ter um bem tombado. A primeira delas envolve a questão cultural, pois é uma forma de preservar um importante momento histórico. Os bens tombados pelo Iphan não podem ser descaracterizados no aspecto que os torna relevantes. Se for a fachada de uma casa, por exemplo, o proprietário só poderá alterá-la com a autorização do órgão federal.
Outra vantagem é o fato de que a partir desse tombamento, o Iphan procura desenvolver projetos que permitam viabilizar financeiramente a sua preservação. Uma dessas alternativas é o PAC das Cidades Históricas, programa do Governo Federal que destina recursos a restaurações e manutenções.
O prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), está animado com as possibilidades que o tombamento do Centro Histórico abre para o município. ''É o reconhecimento federal da importância para o Brasil da primeira cidade do Paraná'', afirma. Ele lembra que os prédios históricos já têm proteção garantida pelo Plano Diretor do município.
Baka Filho afirma que duas igrejas preservadas, pertencentes à Mitra Diocesana de Paranaguá, estão voltando a receber os fiéis. A Igreja de São Francisco das Chagas, construção do século XVIII, tem missas desde agosto deste ano, e as celebrações voltarão à Igreja de São Benedito, também do século XVIII, em 1 de janeiro de 2010.
Os próximos monumentos a serem restaurados são o Mercado do Artesanato e o Prédio Anexo da Estação Ferroviária. No momento, a prefeitura de Paranaguá e a Copel se debruçam no projeto de enterramento da rede de fiação do Centro Histórico, que deve custar R$ 5 milhões com recursos do PAC.
Gastronomia
Mas as atrações de Paranaguá não se resumem aos monumentos históricos, lembra o prefeito, que aconselha os turistas a fazer um passeio pela Baía de Paranaguá, visitar a Ilha do Mel, praticar pesca esportiva, conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná, e se entregar às delícias do turismo gastronômico, experimentando caranguejo, bolinho de camarão, pescadinha frita e o prato típico do Estado, o Barreado.
Para quem pensa que o Barreado surgiu no vizinho município de Morretes, Baka Filho provoca: ''Paranaguá já comia Barreado 100 anos de Morretes nascer''.
A região começou a ser povoada em 1550, passando a município em 1842.
A Festa do Rocio, a mais tradicional de Paranaguá, que acontece no dia 15 de novembro, recebe 250 mil pessoas; no Carnaval, cerca de 150 mil turistas procuram a cidade.
Em junho de 2010, está prevista uma nova atração na cidade: um Aquário Municipal com 28 tanques. Será maior que o Aquário de Santos e só perderá em tamanho para outros dois que estão sendo erguidos em Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ).
O Estado do Paraná tem outros bens tombados pelo Iphan. São eles: o Engenho do Mate, em Campo Largo; o Museu Coronel David Carneiro, o Museu Paranaense e o Paço Municipal, em Curitiba; a Igreja Matriz de Guaratuba. Na Lapa estão, além do Centro Histórico, a Casa da Rua Francisco Cunha, a Casa de Câmara e Cadeia, a Casa do Coronel Joaquim Lacerda, a Igreja Matriz e o Teatro São João.

mockup