A editora responsável pelo curso ''Escrevendo meu primeiro livro'', a Letternet, começou no final da década de 1980, para publicar os livros de familiares. ''Não era comercial. Era mesmo para a satisfação do ego'', conta Hamilton Vilela de Magalhães, 74, o responsável pela empreitada. Engenheiro civil de formação, se envolveu com política a partir de 1965, quando foi eleito deputado federal aos 29 anos.
Mais tarde, seria eleito mais uma vez deputado federal e ainda assumiria como suplente de senador. Orgulha-se de ter sido o engenheiro responsável pelo departamento de estradas de rodagem paranaense no governo Jayme Canet, entre 1975 e 79. Em meados dos anos 1980, foi morar em sua fazenda em Arapoti, com 500 hectares de lavoura e na qual abatia 40 mil frangos/mês. Com uma safra das boas, em 1995 reuniu um dinheiro e comprou o imóvel de 350 m2 no Batel que hoje serve de sede para a editora.
Seu pai falava Latim e o irmão Manoel já trabalhou na Folha de Londrina - todos os dez irmãos, por sinal, têm curso superior. Em um ambiente propício, leu bastante quando criança, mas deixou a leitura um pouco de lado. ''Não tive tempo'', diz. ''Você sabe que para se tornar escritor você tem que começar bastante cedo.'' Ainda assim, publicou dez livros por sua editora - do texto de autoajuda ''Será que vou falir?'' a ''O dinheiro: como surgiu'', escrito para as crianças.
''Se eu não estivesse aqui seria um velho de chinelo trancando em um apartamento'', diz. Afirma que já começou a construir seu próximo projeto, uma escola pré-escolar de período integral para 500 crianças com uma biblioteca/livraria com 20 mil livros infantis. Enquanto isso, segue dedicando-se à Academia Brasileira de Letrinhas, cujo curso formou a segunda turma - do primeiro, em 2008, saíram nove livros. ''E a ideia de uma comunidade, uma corporação. As crianças serão membros tal como lá tem os acadêmicos'', explica, referindo-se à Academia Brasileira de Letras. ''Nós brincamos sério aqui.''
Com o apoio da iniciativa privada, espera levar o projeto a comunidades carentes. Hamilton vislumbra também a possibilidade de sua criação tornar-se um ente nacional, com representantes em todos estados brasileiros. No último sábado, cada um dos novos cinco membros receberam distintivo e um diploma com os dizeres ''A Academia Brasileira de Letrinhas confere o título de membro permanente desta entidade a...'' Para finalizar, falou sobre o resultado do trabalho das crianças. ''A conclusão que chego é que adultos deveriam ser proibidos de escrever livros infantis.'' Mais sobre o projeto em www.abletrinhas.com.br (R.U.)

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