Enfrentando a compulsão alimentar
Em certos casos, a obesidade pode estar associada à compulsão alimentar. ''É uma doença que tem três aspectos: físico, espiritual e emocional. No aspecto físico, a pessoa engorda e tem problemas de saúde. Na questão emocional, existe a ilusão de que podemos nos controlar. E no aspecto espiritual, temos a impressão de que somos auto-suficientes, de que não precisamos da ajuda de ninguém'', diz Laudicéia, de 26 anos, integrante dos Comedores Compulsivos Anônimos (CCA) em Curitiba.
A entidade congrega pessoas que sofrem com a compulsão alimentar. ''O CCA é filho dos Alcoólicos Anônimos (AA). No AA, eles falam de abstinência, mas nós do CCA evidentemente não podemos ficar sem colocar comida na boca. O termo de abstinência para nós é um plano alimentar. Deixamos a pessoa livre para definir seu plano e segui-lo é o que consideramos a abstinência'', explica a jovem.
Laudicéia conta que participa das reuniões do CCA há três anos e nove meses. Ela ficou sabendo da existência do grupo através de uma médica. ''Quando a pessoa admite que é impotente diante da comida, é porque está no limite. Eu era assim, tinha tentado de tudo. Estava no fundo do poço. Eu comia por tudo. Estava triste, comia. Estava alegre, comia. Cheguei a ter depressão'', afirma.
A jovem aponta que as pessoas que sofrem de compulsão alimentar são vítimas de preconceito. ''Muita gente não vê esse problema como uma doença. As pessoas encaram como falta de vontade, preguiça. Existe muito preconceito. E em muitos casos não de pessoas de fora, mas de dentro de casa: o marido, os irmãos, a mãe.''
Laudicéia diz que, após entrar no CCA, perdeu 16 quilos. Mas as mudanças na sua vida foram muito além da perda de peso. ''Fui deixando para trás uma carga de ressentimento. Fiz uma faxina dentro de mim. Eu, que me odiava, hoje me amo. Eu batia em mim mesma, porque não era aquele o corpo que eu queria. Hoje tenho alegria de viver''. (F.G.)





