Energia solar no campo
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sexta-feira, 07 de abril de 2017
Amanda de Santa Especial para a FOLHA 

A maquete da Fazendinha, na Via Rural do Emater, este ano, debate o tema energia solar no campo. Para isso, expõe um pequeno trem movido apenas com a ajuda dos raios de sol. O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro de aplicações da Cidade Solar, Silvio Francisco de Almeida, que tem o ferromodelismo como hobby.
Instalar uma usina solar na propriedade rural ajuda o meio ambiente e alivia o bolso do produtor, já que garante reduzir em até 95% os custos com energia elétrica. O funcionamento é simples. Os raios de sol incidem sobre os módulos ou painéis fotovoltaicos e geram energia elétrica em corrente contínua, que é transmitida por meio de cabos até um inversor. A corrente contínua é transformada em corrente alternada e pode ser utilizada nos aparelhos elétricos.
Uma das vantagens do sistema é que a energia não consumida instantaneamente é integrada à rede da concessionária e devolvida ao consumidor na forma de créditos, que podem ser usados em até cinco anos ou mesmo vendidos no mercado de carbono. À concessionária de energia elétrica a Copel, no caso do Paraná -, o produtor que tiver o sistema paga apenas uma taxa de conexão mínima, taxa de iluminação pública e eventual energia consumida da empresa.
O ex-deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, um dos empreendedores do Cidade Solar, contou que, a partir da maquete, surgiu a ideia de apresentar aos visitantes e ao governo do Estado a possibilidade de o Trem Pé-Vermelho, que deve ligar as cidades de Paiçandu a Ibiporã, ser movido a energia solar. "Consideramos escandalosa a diferença entre o diesel e a energia limpa e, informalmente fizemos a proposta", contou.
Pelas contas da empresa, dois trens, com oito vagões cada e 15 viagens por dia, gastariam, em média, R$ 206 milhões de diesel por ano. Se for motivo a energia solar, o custo cairia para R$ 20 milhões em 25 anos. Segundo a Cidade Solar, o diesel joga 4,4 toneladas de gás carbônico na atmosfera. Já a energia solar não polui e, em 25 anos, deixa de emitir 110 toneladas de gás carbônico na atmosfera, o que equivale a mais de um milhão de árvores plantadas.
Segundo Cheida, a proposta será feita formalmente ao governo do Estado. Ele garante que os custos da construção de uma usina solar são muito baixos em vista do tamanho do investimento na operação do trem. "São apenas R$ 25 milhões na parte elétrica contra R$ 672 milhões do projeto inteiro", citou. Segundo ele, a vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, que esteve na ExpoLondrina nesta sexta-feira (7) , viu a maquete e prometeu avaliar a proposta.
TREM PÉ-VERMELHO
O projeto do Trem Pé-Vermelho, que pretendia ligar as cidades de Paiçandu a Ibiporã, numa extensão de 152 quilômetros, foi engavetado pelo Ministério das Cidades no ano Passado. O empreendimento integrava o Programa de Resgate do Transporte Ferroviário de Passageiros e teria parte do financiamento bancado pelo ministério, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Por meio da portaria 632 do Ministério das Cidades, e junto com dezenas de outras obras em todo o País, ele foi retirado das prioridades de mobilidade urbana que o governo federal pretende apoiar com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A publicação saiu no Diário Oficial da União, dia 30 de dezembro de 2016.
O projeto de viabilidade do trem, feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estimou investimentos de R$ 700 milhões. A ferrovia estava prevista para ter início em Paiçandu e término, em Ibiporã, passando pelos seguintes municípios: Maringá, Sarandi, Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cambé e Londrina.


