Energia fotovoltaica: alternativa viável
Quem passa pelo campus da Unicesumar, em Maringá, vê um edifício espelhado que destoa dos demais, não só pela beleza, mas pela funcionalidade. O Centro Administrativo recém-inaugurado é um prédio autossustentável a geração de energia é limpa.
No mirante dá para notar 84 células fotovoltaicas, que captam radiação solar, e chegam a produzir 20 kilowatt (kW) de energia. "Não só pensamos nas despesas, mas, por sermos uma academia, isso passa a ser um laboratório para nossos estudantes", afirma o diretor-administrativo da Unicesumar, José Pereira de Oliveira. A iniciativa deu tão certo que a Unicesumar teve o projeto de eficiência energética aprovado pela Copel. "É o maior do Paraná, avaliado em R$ 2,5 milhões", ele enfatiza.
"Pelos cálculos, podemos chegar a produzir 50 mil kW, o que nos tornaria autossustentável em energia."
O sistema implantado na universidade é da empresa curitibana Solar Energy, a maior do segmento nacional, e responsável por 30% do mercado brasileiro. A Solar Energy tem cerca de 220 painéis instalados em 12 estados. "O mercado é muito promissor, por conta da crise hídrica, e as constantes altas de energia", afirma o supervisor comercial, Luciano Melo. As células, segundo ele, têm vida útil de até 30 anos.
A alta incidência solar oferece enorme potencial de radiação no Brasil em todas as estações do ano. No entanto, a tecnologia ainda é pouco difundida. Na Europa, por exemplo, a capacidade instalada chega a 88 GW, enquanto no Brasil está abaixo de 1 GW.
"É uma questão histórica: a energia depende diretamente das chuvas no Brasil. Agora, com as secas, ocorrem apagões. Por isso, a necessidade das pessoas buscarem autossuficiência", pontua o físico Ferdinando Zapparoli, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Porém, a implantação muitas vezes esbarra na falta de incentivo do governo. "Quase 40% do que é pago pelos consumidores na conta de luz é imposto", observa Zapparoli. "O que falta é visão de futuro. Se o governo investisse nesses sistemas renováveis, não precisaria construir hidrelétricas e termelétricas."
O que impede o avanço do sistema fotovoltaico no País é o alto custo de implantação: R$ 600 o metro quadrado, embora o investimento possa ser pago em seis anos. Mesmo assim, em 2015 as células fotovoltaicas atingiram seus menores preços históricos, chegando ao patamar de U$ 0,30/Watt na década de 70, esse valor chegava a U$ 76/Watt.
Como funciona
As células fotovoltaicas, feitas de silício ou outro tipo de material condutor, captam radiação solar e geram eletricidade com a movimentação dos elétrons. Essa energia é jogada num relógio chamado de Inversor Solar, de lá vai para o quadro de luz e distribuída para todo o imóvel.
Quando o sistema fotovoltaico é implantado, a Copel é obrigada a instalar um relógio de energia bidirecional. Esse aparelho tem duas finalidades: mede a energia da rua, que é consumida quando não tem sol, e a energia solar gerada em excesso é injetada na rede da companhia distribuidora. Essa energia solar que vai para a rede vira "créditos de energia" para serem utilizados de noite ou nos próximos meses. "E se o consumidor tem dois imóveis, pode abater nas duas contas, desde que elas estejam no nome da mesma pessoa, física ou jurídica", observa o representante comercial da Fotovoltec, Willian Henrique da Silva.
A Fotovoltec é uma empresa genuinamente londrinense, que aos poucos vai ganhando espaço no mercado nacional. A companhia negociou cinco sistemas fotovoltaicos agora em setembro, sinal de aquecimento do mercado.
Incentivo
De olho neste segmento, a cooperativa Sicredi União, que atua no Norte/Noroeste paranaense, abriu uma linha de crédito para implantação de sistemas de energia renovável. Trata-se do Consórcio Sustentável.
O diretor-executivo da Sicredi União, Rogério Machado, explica que as cartas de crédito para aquisição de equipamentos ecoeficientes podem ser financiadas em até 120 meses, com créditos que variam entre R$ 7 mil a R$ 350 mil.






