O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), implantado no Brasil em 1998, se consolidou em 2004 como uma das provas de avaliação mais importantes do País para alunos que querem uma melhor colocação, ou mais chances, para entrar em universidades privadas e públicas brasileiras. Hoje considerada um passaporte de entrada para o ensino superior, a prova também exigiu dos alunos um amadurecimento mais rápido e maior comprometimento nos estudos. Professores ressaltam a importância de começar a preparar o estudante desde as primeiras séries, para que ele aprenda a pensar de forma abrangente, assim como aplicar os conteúdos de forma prática – como exigido nas questões das provas do Enem – para ter uma boa nota e assim usá-la como benefício e vantagens no ingresso às universidades.
"Por ser uma prova que está estruturada dentro das competências e habilidades do aluno, saber analisar, comparar, interpretar é o mais importante. O conteúdo em si não é nada se o aluno não tiver o ‘letramento’", afirma o coordenador psicopedagógico do ensino médio do Colégio Marista, Nelson Luiz Felipe Coelho. Ele ressalta que ‘letramento’ é o aluno saber aplicar e interpretar de forma prática os conteúdos levantados nas questões e nas matérias abordadas. "Se ele só entende o assunto de forma tradicional e abstrata, ele não consegue interpretar as questões e fazer a prova. Alguns alunos que possuem este letramento acham inclusive a prova ‘fácil’, porque ele foi preparado a vida toda para aquilo, para pensar daquela forma".
Uma questão marcante da prova do Enem são as questões serem "interdisciplinares", o que segundo Coelho "revolucionou a forma de abordagem dos conteúdos, principalmente no ensino médio". "Claro que em séries anteriores todas essas questões são vistas de forma mais tranquila, para tornar a escola mais atraente para os alunos. Se eles conseguem aplicar os conteúdos de forma prática, o letramento vai acontecendo naturalmente. No ensino médio isso é intensificado, usamos inclusive materiais específicos para o Enem, para que o aluno se sinta preparado".
A diretora pedagógica do Colégio Universitário, Raquel Calil Ruy, acrescenta que as escolas devem estar atentas às necessidades que o Enem traz para os alunos. "Essa prova traz todo um trabalho de leitura de mundo, e isso a gente não consegue ensinar para o aluno do dia para a noite". Por isso, a proposta da escola é mesmo começar essa leitura nas séries iniciais. "O trabalho é pautado sempre em desenvolver competências por meio da interdisciplinaridade e trabalhar sempre a teoria e a prática dos conteúdos. Focamos para o aluno que é um processo, que o estudo deve ser diário, porque a prova do Enem é cumulativa", finaliza.

Testar conhecimentos
A estudante Nicole Camila D’Áquila Gonçalves, de 16 anos, fez a prova do Enem ano passado, quando ainda estava no segundo ano do ensino médio. Mesmo sem ter estudado o conteúdo do terceiro ano, Nicole conseguiu tirar uma média geral maior que sete – já somada com sua excelente pontuação na redação, 820 pontos de mil.
O objetivo da adolescente era somente testar seu nível de conhecimento, mesmo sem ter cursado o último ano, e ficou surpresa com o resultado. Nicole quer estudar Medicina em uma das universidades públicas do Paraná ou de outras instituições.
Atualmente cursando o terceiro ano do ensino médio no Colégio Marista, a estudante deixa claro que ter tido uma boa nota mesmo sem ter se preparado completamente não é motivo para que ela relaxe nos estudos. "Tento estudar todos os dias, além do que já fiz no colégio."

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