Endocrinologista explica relação do comer bem com a saúde
Já se sabe que a humanidade tem caminhado para o excesso de peso e para a obesidade, porém, ainda existem muitos mitos sobre a melhor maneira de se alimentar. Em entrevista à Folha por e-mail, o professor de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Geraldo Medeiros Neto explica que fatores como a genética predisponente para a obesidade, a alimentação totalmente errônea e a vida extremamente sedentária contribuem para uma vida sem qualidade.
Medeiros, que em 1975 fundou a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, publicou diversos trabalhos científicos e lançou dez livros sobre o assunto, o último deles ''O Gordo Absolvido'', em 2002. Em trinta anos de estudos e pesquisas sobre a obesidade e suas causas, o médico afirma que a carne vermelha, alimento bastante condenado por muitos, não faz mal à saúde, mas salienta que, particularmente, prefere limitar o consumo da carne a três dias por semana.
''Não recomendo as frituras. Antigamente cozinhava-se com banha de porco e a expectativa de vida era de 56 anos. O fato de viver bem não quer dizer viver mais. Com comida mais saudável e exercícios o ser humano chega aos 70, 80 anos com melhor saúde e condições mentais'', garante.
Para o médico, a nutrição do dia-a-dia não é o único fator para uma vida saudável. Fazer exercícios, comer devagar, sem pressa, com ''refeições alegres'', em família, de acordo com o médico, são fatores que elevam a qualidade de vida.
Considerado um dos mais importantes endocrinologistas brasileiros, Medeiros define um prato ''gordo'' aquele com alta proporção de gordura, como joelho de porco, bacon, linguiça, feijoada, picanha e costela com gordura, feijoada, moquecas de peixe e crustáceos. Um prato ligth seria a associação de frango, peixes ou carnes magras com verduras, legumes e arroz integral. O médico também sugere frutas como sobremesa e como alternativa ir a um restaurante japonês comer sushi.
Quanto aos vegetarianos totais - pessoas que não comem nem laticínios e ovos - o médico aponta a importância em associar suplemento de ferro, ácido fólico e vitaminas. ''Comer bem, a meu ver, é controlar quanto se ingere de carboidratos, isto é, doces, sorvetes, chocolates, massas, batatas, arroz, pão e bolos. Alimentar-se três vezes ao dia e, se possível, comer gelatina e queijo light nos intervalos. A massa italiana (grano duro) é excelente pois é absorvida lentamente. Recomendo uma taça de vinho tinto ao jantar. Cerveja parcimoniosamente. Água só no início da refeição, jamais durante a refeição'', finaliza. (F.B.)
Serviço:
- O livro ''O Gordo Absolvido'', Editora Arx (Siciliano), pode ser encontrado na Livraria Porto em Londrina (R$ 37,00).





