A preocupação com a sustentabilidade é crescente em todo o mundo. Prova disso é que as bolsas de valores passaram a criar índices específicos para medir o quanto as empresas estão empenhadas em serem sustentáveis. No Brasil, a Bovespa implantou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) em 2005. Funciona assim: todos os anos, as 200 ações mais líquidas da Bolsa são convidadas para um processo de seleção. A definição das que vão integrar o índice é feita pelo Conselho Deliberativo do ISE. Na carteira aprovada para 2016 estão 40 ações de 35 companhias - entre elas a Copel.
"Existem investidores que reconhecem nas empresas mais avançadas em sustentabilidade uma vantagem do ponto de vista da rentabilidade e da liquidez", afirma Aron Belinky, coordenador executivo do ISE e também coordenador de Programas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, o GVCES. Ele é cuidadoso ao falar sobre o poder do índice de influenciar na valorização das ações das empresas listadas. "O que a gente tem percebido ao longo do tempo é que o mercado responde à entrada e à saída das organizações na carteira. Já vimos empresas que entraram e tiveram oscilação positiva (no valor das ações)", afirma.
Durante seus 10 anos de existência, segundo a Bovespa, o índice teve rentabilidade de 128,88% contra 51,28% do Ibovespa. Belinky cita que existem fundos de investimentos dentro e fora do País que dão preferência para as ações do ISE.
O coordenador considera sustentável economicamente a empresa que tem capacidade de gerar recursos, pagar suas constas, gerar resultados para os acionistas e ainda ficar com recursos para investir na sua própria permanência. "Uma empresa que não é capaz de pagar suas próprias contas, de ter capital para se perpetuar e de pagar seus acionistas não é sustentável", declara.
Há outro característica importante, segundo Belinky, que está relacionada aos efeitos da empresa para a sociedade. "Existem organizações que têm recursos para se perpetuarem, mas que são altamente poluentes. Às vezes, essa externalidade negativa da empresa é maior que o benefício que ela gera à sociedade", explica. Neste caso, a organização não pode ser considerada sustentável.
Coordenador do curso de administração da Faculdade Paranaense (Faccar), Márcio Massaro também ressalta o problema da externalidade negativa. "Você pega uma empresa que embala água mineral, por exemplo. Quanto custa para o Estado dar a destinação correta para as embalagens? Se esse custo for maior que a renda gerada pela empresa, essa empresa não é sustentável", argumenta.
Para Massaro, as empresas brasileiras, de modo geral, ainda não estão muito preocupadas com a questão da sustentabilidade. "A maioria das que realizam ações na área ambiental ou social, fazem isso não por convicção, mas por marketing. Infelizmente ainda estão longe de ter a consciência da importância desse tema", considera.

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"Uma empresa que não é capaz de pagar suas próprias contas, de ter capital para se perpetuar e de pagar seus acionistas não é sustentável", declara Aron Belinky
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