Ficar sem água em casa por algumas horas é incômodo. Imagine ficar nessa situação durante um final de semana inteiro. Foi o que aconteceu com alguns moradores de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba) no fim de outubro.
''Às vezes, falta água, mas é por pouco tempo. Dessa vez, foi o fim de semana inteiro'', reclama o auxiliar de serviços gerais Gilmar Sandri, de 29 anos, morador da localidade de Tranqueira. ''Não tivemos como tomar banho, lavar roupa... A caixa d'água da minha casa é pequena, num dia sem abastecimento ela esvazia'', explica o pedreiro Carmo Germano, de 46 anos.
De acordo com informações do Governo do Estado, a Sanepar registrou na manhã da sexta-feira 26 de outubro o furto do transformador e de equipamentos de energia elétrica do poço de Tranqueira. O crime fez com que cerca de 2,5 mil pessoas do município ficassem desabastecidas até a segunda-feira seguinte. O governo informou que foi a segunda vez em apenas sete dias que foram furtados equipamentos como cabos, transformador e quadro de comando daquele poço.
A diretora de meio ambiente e ação social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, diz que esse tipo de ocorrência infelizmente é comum. ''Há regiões muito vulneráveis. As estações de tratamento de esgoto e os poços geralmente ficam afastados. A empresa procura estabelecê-los o mais longe possível, para não causar nenhum incômodo à população'', explica a diretora.
''Além do risco de desabastecimento, os furtos proporcionam riscos ambientais. O roubo faz com que a estação deixe de funcionar, o que provoca extravasamento'', afirma Maria Arlete. A diretora aponta que o cobre é o material mais procurado pelos ladrões. ''Em 2007, até o começo de novembro, registramos 7.979 roubos de hidrômetros apenas em Curitiba''.
Além da Sanepar, outras empresas que prestam serviços de utilidade pública na RMC sofrem com o furto de equipamentos. A Copel informou que de janeiro a outubro foram roubados ao todo 20,1 mil quilos de material da empresa na Regional Leste, que congrega a Região Metropolitana de Curitiba e o Litoral. Os cabos de cobre foram os itens ''preferenciais''.
Édson Benedito César, assessor da diretoria de distribuição da Copel, diz que a empresa vem tomando algumas medidas para diminuir o número de furtos. Segundo o assessor, além de reforçar a segurança (medida também tomada pela Sanepar), a Copel não está mais vendendo material que sobra ou já gasto, porque isso dificultava a identificação posterior de materiais supostamente roubados e receptados. ''Agora negociamos com os fabricantes para trocar esse material (que sobra ou já gasto) por material novo'', explica Benedito.
O assessor salienta que o maior dano recai sobre o consumidor. ''O furto pode prejudicar muito alguém que não pode ficar sem energia elétrica, como uma pessoa que depende de um aparelho para viver''.
Na Brasil Telecom, ainda que os registros de furtos tenham diminuído este ano, a ação dos ladrões ainda provoca transtornos. ''Nos seis primeiros meses de 2007 foram furtados 40 quilômetros de cabos telefônicos em todo o Estado, uma redução de 55% comparada ao mesmo período do ano passado. A Região Metropolitana de Curitiba é a área mais visada: responde por aproximadamente metade do total de furtos do Estado'', informou a empresa, em nota enviada à Folha.
''Além de agilizar os reparos para diminuir o impacto nos serviços prestados, a Brasil Telecom toma uma série de medidas para combater o furto: instala alarmes nos cabos, faz a monitoração 24 horas pela sua Central de Segurança e mantém um disque-denúncia específico para o furto de cabos - 0800 41 0802'', diz a nota.

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