Empresas ganham impulso na incubadora
A capacitação voltada ao empreendedorismo, uma das filosofias básicas da Educere, gerou resultados que podem ser medidos em números. Onze empresas de desenvolvimento e fabricação de equipamentos médicos e odontológicas foram criadas na instituição. Atualmente, são oito firmas graduadas, que ganharam ''vida própria'', e quatro incubadas. Todas contam com ex-alunos da fundação no quadro de funcionários ou de sócios e algumas ocupam espaço físico no prédio da fundação.
Algumas das empresas foram criadas por ex-alunos da Educere. De acordo com o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição Eduardo Akira Azuma, parte delas surgiu como fornecedora da Cristófoli, o que resultou na formação de uma rede. ''Quando a Educere aceita uma empresa incubada está fazendo uma aposta. Para que a fundação possa crescer e oferecer mais serviços, passa a ser bancada pelas empresas que foram incubadas'', explica. As graduadas pagam uma porcentagem do faturamento para manutenção da Educere.
O fruto do trabalho foi a criação da mão de obra e da demanda, por meio do surgimento de novas empresas no mesmo ramo e com interesses complementares, uma vez que cada uma produz equipamentos diferentes e não são concorrentes entre si. A incubadora tem índice zero de mortalidade de empresas.
O agrupamento configurou-se num Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde, identificado por meio de mapeamento elaborado pelo governo estadual. O grupo conta hoje com 25 empresas e gera cerca de mil empregos diretos. Segundo Wanderley Bacelar, coodernador do APL da Saúde, o surgimento ocorreu por meio da necessidade tecnológica da Cristófoli e pela demanda de produtos a ser nacionalizados. E as empresas surgiram para produzir equipamentos diferentes dos concorrentes locais nos ramos médico e odontológico.
Para ele, atualmente o grupo precisa investir em mais máquinas para desenvolver novos produtos, que podem inclusive atender o mercado internacional. Bacelar aponta a criação de um laboratório de prototipagem, para testar as inovações tecnológicas. ''Para agregar mais valor preciso estar a nível tecnológico que os países de primeiro mundo'', salienta.
A identificação foi feita com o objetivo de criar políticas públicas de apoio às empresas. E hoje os arranjos produtivos locais conseguem, inclusive, obter acesso a fundações que oferecem apoio a fundo perdido e linhas de financiamento. Ele aponta ainda que a APL da Saúde optou principalmente por produtos que não têm similar nacional.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam) Nestor Ocimar Bisi, esse é o futuro da região, por tratar-se de empresas de tecnologia de ponta em uma região basicamente agrícola. Ele aponta a criação de cursos de Engenharia na cidade como outro fator de desenvolvimento local. ''Vai gerar muita riqueza. As pessoas que trabalham em indústrias eletrônicas têm um nível salarial maior do que os (funcionários de empresas) de outras áreas'', salienta.(F.R.F.)





