O pioneirismo nos setores do comércio e da indústria de Londrina foi alvo de homenagem do Governo Estadual. Representantes de empresas famosas, como a Viação Garcia, misturaram-se a proprietários de pequenos empreendimentos em uma cerimônia para distribuição de certificados de reconhecimento público pela iniciativa dos comerciantes e industriais, que contribuíram com o crescimento e o desenvolvimento da cidade. O trabalho de proprietários de 90 empresas foi celebrado no evento, cuja organização foi da Junta Comercial do Paraná e Secretaria de Estado da Indústria e Comércio e Assuntos do Mercosul, com apoio da Folha de Londrina e TV Tarobá. A solenidade teve participação do governador Roberto Requião (PMDB) e outras autoridades entre elas o prefeito Nedson.
  Cinco representantes de empresas pioneiras foram escolhidos para receber o diploma de reconhecimento das mãos das autoridades: Viação Garcia, Gevasco, Palácio das Noivas, Colégio Londrinense e Folha de Londrina. Os homenageados ouvidos pela reportagem da Folha foram unânimes em destacar o crescimento da cidade para o desenvolvimento das empresas. ‘‘A empresa foi crescendo como a região toda. O povo que veio para cá também contribuiu muito para isso. Considerando que a cidade tem 70 anos, o desenvolvimento da cidade foi muito rápido, e claro que contribuiu com o crescimento da empresa’’, avalia um dos sócios da Viação Garcia, Gustavo Garcia Cid.
  Outro ponto coincidente nos discursos dos pioneiros é a dificuldade encontrada nos primeiros anos na cidade. O dono da rede de lojas Móveis Brasília, Francisco Ontevero, que está em Londrina desde 1934, lembra que o estabelecimento comercial teve início com a venda de casa em casa. ‘‘Viemos para a lavoura. Meu pai comprou cinco alqueires na região que hoje é o aeroporto. Enquanto não conseguia recursos com a lavoura, a gente vendia frutas e legumes de carroça’’, relata.
  Após algum tempo, a família montou uma pequena indústria de estofados na Rua Brasil e uma pequena loja de móveis. O comércio acanhado foi a origem de uma rede que atualmente conta com oito lojas e mais de 200 funcionários em Londrina e Balneário Camboriú (SC). ‘‘Fomos os primeiros a trabalhar com fogões a gás e colchões de mola. Quando a gente ia numa casa entregar um colchão de mola, o povo saía na janela para ver porque era um luxo na época’’, relembra.
  A rotina de vendas de porta em porta também faz parte da história de José Cescato, 76 anos. Proprietário da empresa de rolamentos e ferramentas Ropel, que fica na Vila Nova, ele relata que no início era necessário percorrer as ruas de terra da cidade para comercializar os produtos. ‘‘A gente saía de jipe para vender, já que asfalto não existia’’, rememora Cescato, que ainda hoje garante que é o primeiro a chegar e o último a sair do estabelecimento comercial diariamente.
  Outra marca dos pioneiros são as empresas familiares. A exemplo da Viação Garcia, estabelecimentos como a Gervasco também basearam-se na união e no trabalho familiares para crescer. Segundo o proprietário Paulo Roberto Assunção, são nove irmãos trabalhando juntos na empresa. ‘‘Foi um crescimento familiar, para o qual todos os irmãos arregaçaram as mangas para contribuir’’, orgulha-se. Assunção destaca ainda que a empresa fez o caminho inverso da maioria das empresas: nasceu no interior e depois expandiu-se para a Capital. Hoje, possui loja em São Paulo.
  E foi de outros Estados, principalmente do interior paulista, que veio boa parte dos comerciantes pioneiros de Londrina. Proprietário do tradicional Palácio das Noivas, Jovel Gibrin, 83 anos, veio de Ribeirão Preto para o Norte do Paraná em 1965. Após passar por Apucarana e Rolândia, o comerciante estabeleceu-se em Londrina, com a loja especializada em trajes nupciais. ‘‘Antigamente, nós vendíamos vestidos. Hoje, alugamos. É bom para o consumidor. Um vestido de R$ 200 para comprar é um vestidinho. Com o mesmo dinheiro, a noiva aluga um super vestido’’, avalia Gibrin.
  Os sócios da Viação Garcia também receberam a homenagem. Gustavo Garcia destacou que a história da empresa teve início com o avô Celso Garcia Cid, que transformou um caminhão em ônibus para transporte de passageiros: era a chamada jardineira ou Catita. Para José Paulo Garcia Pedriali, a empresa teve dificuldades no início, devido à falta de infra-estrutura de Londrina, mas desenvolveu-se junto com a cidade, ‘‘mais intensamente nos anos 1960 e 1970.’’ ‘‘A empresa é familiar. Estamos indo para a quarta geração e esperamos a mesma vontade, a mesma determinação e a mesma seriedade das novas gerações’’, resume Pedriali.

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