Empresário investe em 'indústria de craques'
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Katia Baggio De Apucarana Especial para a Folha 
Há muito tempo o futebol deixou de ser apenas um esporte para se transformar em uma indústria de craques, que movimenta grandes valores no mercado mundial. Os passes dos jogadores têm alcançado cifras milionárias e os clubes acabam recorrendo a grandes empresas para garantir a formação de boas equipes. O futebol-empresa abrange também as divisões menores, onde os investidores esperam revelar futuros craques, à espera de apoio e oportunidade.
Um dos exemplos no Paraná é o Roma Esporte de Apucarana, que nasceu no início do ano sob o apadrinhamento do empresário paulista João Wilson Antonini e tem atletas com idade entre 20 e 22 anos. Proprietário de uma construtora com obras em várias cidades do interior de São Paulo, o empresário se declara amante do futebol desde criança e resolveu investir em jogadores de futebol, com cerca de 70 deles mantidos em times das categorias infantil, juvenil e juniores, no Paraná e em São Paulo.
Segundo Antonini, o Roma custa R$ 70 mil mensais, distribuídos entre alimentação, salários e manutenção da equipe técnica. A Prefeitura de Apucarana cedeu a estrutura física que o antigo time da cidade dispunha.
Antonini afirma que tem experiência como empresário no setor esportivo e mantém seis jogadores no Santos, todos entre 20 e 21 anos, com perspectivas de integrar a equipe profissional do clube ainda esse ano. A maioria dos garotos era carente e morava em favelas, mas hoje estão com a vida estabilizada. Eles precisam de alguém que acredite neles, mas como qualquer empresário eu também viso os resultados desse investimento e meu retorno tem sido cada vez mais satisfatório, ressalta.
O Roma de Apucarana está na terceira divisão, mas o empresário é otimista e quer levar os jogadores à primeira divisão nacional. Ele cita como exemplo de dedicação o jogador Daniel, que estava vinculado à Portuguesa, de Londrina, mas tinha parado de jogar e quase abandonou o futebol. Nós acreditamos no garoto e hoje ele está no Santos, com excelente desempenho, afirma. André Astorga é outro atleta que passou pela Portuguesa e Antonini empresariou. Ele está indo para a Alemanha, informou.
Antonini diz que investiu no Esporte Clube Osasco, no interior de São Paulo, e viu o time ser campeão da Série B2 no ano passado e tem jogadores em outros times do interior. Ele procura aliar o lado social com o comercial, para que ambos sejam beneficiados.
Assim, um requisito fundamental para aceitar os garotos é a manutenção de boas notas. Damos oportunidade e assistência aos meninos e, em contrapartida, exigimos dedicação aos estudos, como forma de mantê-los na escola, revela.


