"De fato as multas existiram no passado, mas não existem mais", assumiu o padre Miguel Lunghi, à frente da Paróquia de São Pedro de Umbará desde dezembro do ano passado. "Nossa igreja segue as normas estipuladas pela Arquidiocese. Nós sugerimos apenas o serviço de decoração da igreja, não obrigamos ninguém a nada, até porque isso é proibido. Os noivos estão livres para contratar a floricultura que quiserem, contanto que elas cumpram as novas regras", justificou.
"Nunca dissemos para procurarem outra igreja. O que exigimos é que o cerimonial não entre na igreja, apenas que conduza as pessoas até a porta. Da porta até o altar nós mesmos orientamos, a celebração cabe ao padre", disse padre Miguel, lembrando que muita preocupação com as questões econômicas da cerimônia, deixa em segundo plano o respeito às exigências do direito canônico para a celebração do casamento, como ser batizado, ter feito o crisma e o curso de preparação de noivos.
O padre Gilson César Camargo esclarece que nenhuma paróquia tem o direito de exigir que os noivos contratem prestadores de serviços indicados por ela, muito menos, cobrar multas caso os noivos não concordem com isso. "Isso fere as normas. O que a paróquia tem direito é de exigir que as normas sejam cumpridas", explica ele, acrescentando que a paróquia tem o direito de organizar a pastoral da celebração do matrimônio e elaborar normas específicas complementares de acordo com a sua realidade, desde que não esteja em contradição com as normas estabelecidas pela Arquidiocese.
"Também não pode ferir a liberdade dos noivos em escolher os serviços. Isso não inclui estipular multas", alerta padre Gilson, informando que no dia 26 de abril acontece mais um curso gratuito sobre teologia e as normas para o rito do casamento voltado aos profissionais das áreas de cerimonial, foto e filmagem, floricultura e músicos.
Segundo a Cúria, ainda é pequeno o número de profissinais certificados. "Os cerimonialistas se multiplicam. Hoje qualquer pessoa desempregada pode colocar uma roupa e dizer que faz cerimonial. É um trabalho muito rentável e sem regulamentação. As normas não existem para impedi-los de trabalhar, mas para que a celebração do sacramento seja respeitada", reforça. "As paróquias onde se implantaram realmente as normas, a celebração do matrimônio resgatou o seu verdadeiro sentido", conclui padre Gilson. (F.G.)

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