O interessado em trabalhar no Japão precisa tomar alguns cuidados na hora de escolher a empresa agenciadora para que a iniciativa não se torne uma grande dor de cabeça. Ao viajar com a passagem financiada por uma agência de turismo, o dekassegui (trabalhador que sai de sua cidade de origem em busca de emprego) chega a pagar o dobro do preço de uma passagem normal, pelo serviço de ter toda a documentação providenciada pela empresa, além de partir com uma garantia de emprego.
Porém, existem algumas agências inidôneas, que prometem um determinado tipo de trabalho geralmente de fácil execução e enviam o dekassegui para um serviço pesado e insalubre.
Certas empreiteiras (intermediadoras do contato entre a empresa japonesa e o brasileiro) cometem irregularidades no outro lado do mundo, como recolhimento ilegal de taxas e retenção do passaporte até que a dívida seja quitada. O idioma também é outra dificuldade. Contratos assinados em japonês podem conter restrições e deveres dos quais o brasileiro só vai tomar conhecimento quando for tarde demais.
A professora Estela Okabayashi Fuzii, diretora do Departamento de Informação e Apoio ao Dekassegui da Aliança Cultural Brasil-Japão de Londrina, ressalta que a culpa nem sempre é da agência. ''Muitas vezes, nem a empresa brasileira que recruta os dekasseguis tem conhecimento das condições que o trabalhador vai enfrentar no outro lado do mundo'', explica.
Para tentar evitar tais problemas, entidades de assistência ao dekassegui disponibilizam uma listagem completa com os nomes das agências inidôneas que já tiveram ou causaram algum tipo de problema.
Outra medida cada vez mais adotada é garantir uma vaga através do contato direto com empresas no Japão ou com amigos e parentes de lá. Assim, os brasileiros pagam um preço menor na passagem aérea, e correm menos risco de serem ludibriados. De acordo com Estela, esta é a melhor forma de embarcar nessa empreitada. ''O ideal é custear a própria passagem para não ficar devendo à agência, e procurar o emprego por si mesmo'', recomenda.
Além da listagem atualizada, a Aliança Cultural fornece também assistência a quem se sentiu prejudicado no Japão, com o auxílio de médicos, psicólogos, advogados, educadores, contabilistas e outros profissionais. Em um ano de trabalho, Estela assessorou dezenas de casos, desde simples consultas a denúncias graves e questões de alta complexidade envolvendo os dekasseguis e as empreiteiras (geralmente brasileiras) no Japão. A Associação Brasileira de Dekasseguis, com sede em Curitiba, e o Centro de Informação e Apoio ao Dekassegui, em São Paulo, também são órgãos que o dekassegui pode contactar.

SERVIÇO
Aliança Cultural Brasil-Japão, Londrina (43) 3324-6418; Associação Brasileira de Dekassegui, Curitiba (41) 3233-8449; Centro de Informação e Apoio ao Dekassegui, São Paulo (11) 3207-9014.

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