A formação incipiente de profissionais com perfil empreendedor na área de saúde é uma fraqueza detectada pelo estudo da Fundação Certi em Londrina. A PUC-PR tornou o empreendedorismo disciplina institucional obrigatória em alguns cursos, e eletiva em outros. "Tem alguns anos que a PUCPR colocou o empreendedorismo como uma prioridade", descreveu Paulo Porto, coordenador institucional da PUCPR. A universidade possui um HUB de Empreendedorismo, comandado por Porto. Uma das iniciativas do hub é um programa de germinação de ideias, que gerarão um MVP (Minimum Viable Product – Produto Mínimo Viável), que pode ser encaminhado à aceleradora de startups da PUCPR, a Hotmilk.
O viés de empreendedorismo já deu resultados no curso de medicina, onde um aluno de Londrina criou um software de integração de dados de pacientes usando Blockchain. A startup está sendo acelerada na Hotmilk, que nasceu para receber projetos de negócios dos alunos da PUC-PR, mas abriu suas seleções também para o público externo. A aceleradora está atualmente em seu segundo ciclo. "A demanda de saúde é crescente e necessita de tecnologia para impactar em larga escala", comenta Cristiano Teodoro Russo, coordenador da Hotmilk Londrina.
O estudante Pedro Petri é uma exceção entre estudantes de medicina. Entusiasta de tecnologia e empreendedor desde o ensino médio, ele idealizou, junto com os sócios Matheus Hirata e Guilherme Tutida, um prontuário médico eletrônico que utiliza Blockchain, tecnologia conhecida por tornar seguros os dados de transações da moeda digital bitcoin. A tecnologia é aplicada no armazenamento dos dados dos pacientes. "O Blockchain permite que as informações (do prontuário médico eletrônico) não sejam alteradas. Uma vez que se ‘imputa’ a informação do paciente no prontuário, haverá a garantia de que ela se manterá íntegra e por um tempo maior. O paciente poderá ter para sempre seu histórico médico e de maneira segura."
Para Petri, a área de saúde traz mais oportunidades para os profissionais que simplesmente abrir uma clínica. "Os médicos geralmente saem da faculdade com a visão de abrir uma clínica, mas eu vejo de outra forma. Há várias oportunidades na área da saúde que não são aproveitadas. É uma área muito ampla, que vai desde a criação de medicamentos até de sistemas de informação. Vai do empreendedor enxergar as oportunidades e sair um pouco da caixa." (M.F.C.)

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