Empenho conjunto venceu barreiras
Na primeira semana de dezembro, foi a vez de uma delegação de londrinenses retribuir a visita dos coreanos. O grupo, chefiado pela vice-governadora Emília Belinati, foi recebido em Seul pelo presidente do Grupo Kumho, Jung Koo Park.
O empresário confidenciou que em princípio Londrina não era a cidade escolhida entre as que estavam na disputa pela instalação da fábrica de pneus brasileira. Outros municípios estavam melhor cotados, acrescentou Park. Mas o presidente do grupo afirmou que a escolha recaiu sobre Londrina em consequência do empenho da prefeitura e do governo do Estado. A delegação fez parte da 26ª Missão Econômica do Paraná ao Japão e Países Asiáticos.
NegociaçõesAs negociações para a vinda da fábrica de pneus Kumho em Londrina começaram no fim do ano passado. O empresário João Jabur conta que o presidente da Viação Garcia, Fernando Garcia Cid, foi convidado para conhecer a fábrica da Kumho, na Coréia, por ser um grande cliente de pneus. O Fernando entrou em contato comigo com a grande idéia de propor ao grupo investir em Londrina. Nós fomos juntos à Coréia, lembra João Jabur. A Jabur Pneus é responsável por 95% das vendas de pneus Kumho no Brasil. O faturamento da Kumho aqui é de US$ 40 milhões/ano.
Segundo Jabur, ele e Garcia Cid transformaram a visita de cortesia numa visita de negócios, fato inesperado pelos coreanos. Para essa viagem, os empresários de Londrina obtiveram procuração do Instituto Paranaense de Desenvolvimento (IPD) para negociar em nome do governo do Estado. Jabur ressalta que o argumento que convenceu o grupo a instalar a fábrica - prevista inicialmente para a China - em Londrina foi o mercado brasileiro. Apresentamos dados sobre a frota de veículos no Brasil.
Nos últimos sete meses, a prefeitura passou a fazer parte das negociações. Ocorreram muitas reuniões em Curitiba, com representantes do governo do Estado e com o próprio governador. João Jabur lembrou alguns episódios engraçados, como em uma reunião, com os diretores coreanos, em que o governador Jaime Lerner informou - não sei até agora se era sério ou brincadeira - que havia dado ordens para fechar o aeroporto e para os guardas do Palácio impedirem a saída dos coreanos. É que eles (os coreanos) iam para a Bahia, que era a nossa grande concorrente para receber a fábrica.
A Kumho nasceu em 1946, com apenas dois carros de táxi. Hoje, o grupo atua no setor de pneus, aviação comercial, construção civil, transporte terrestre, petroquímica, turismo, telecomunicações, finanças. Emprega 30 mil trabalhadores e tem US$ 9 bilhões de ativos. O grupo está entre os dez maiores da Coréia, e em 96 faturou US$ 7 bilhões.





