Embrapa Soja é referência mundial
Embrapa Soja é referência mundial
A Embrapa de Londrina é referência internacional quando o assunto é soja tropical, e o trabalho da instituição está inserido na história de Londrina. O pesquisador e chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição, Paulo Roberto Galerano, explica que quando veio da China, a soja, uma espécie subtropical, apresentava baixa produtividade e sofria grande incidência de doenças quando plantada em áreas tropicais. Era preciso uma adaptação.
Foi o que fez a Embrapa. O trabalho dos seus pesquisadores mudou tudo e hoje a soja é cultivada em 13 milhões de hectares em todo o País. No Paraná, a média de produtividade é de 2,7 mil quilos, mas algumas propriedades conseguem uma média de até 4 mil quilos por hectare mais de três vezes a média da safra de 1975, quando a leguminosa começou a ser cultivada no Brasil.
Entre as conquistas da Embrapa, estão ainda descobertas na área de controle biológico sistemas que utilizam recursos da própria natureza para combater pragas que atacam a cultura. Um exemplo é a Trissolius Basalis, vespa amplamente utilizada contra o percevejo da soja. Ela parasita os ovos do percevejo, impedindo que as suas larvas destruam as plantações.
O objetivo é sempre a otimização da produtividade, frisa Galerano. A descoberta de uma bactéria inoculante que vive em simbiose com a planta da soja e fornece todo o nitrogênio de que ela precisa é outra vitória da Embrapa de Londrina. Galerano explica que apesar de todos os projetos serem importantes, os que envolvem o desenvolvimento dos trangênicos, deverão se destacar nos próximos anos.
Ele defende que a biotecnologia é uma ferramenta importante e que a Embrapa, como centro de pesquisa nacional, não pode se deter diante da polêmica. A pesquisa tem de estar na vanguarda, afirma.
Paralelamente, o desenvolvimento da Agricultura de Precisão, que se apóia no desenvolvimento tecnológico, deverá ganhar mais impulso no ano 2000. A proposta é possibilitar a análise e acompanhamento da produção dividindo uma grande área em pequenas partes. Esta análise detalhada permite que as intervenções fiquem limitadas a área onde for detectada deficiência.
Equipamentos de última geração são acoplados às máquinas agrícolas para fazer a análise. O resultado é a otimização dos recursos naturais e econômicos, aumento da produção, redução dos custos e menor desgaste e impacto ambiental.
Para o próximo milênio, Galerano vê a agricultura se transformando em profissão. O agricultor vai ter de ser um especialista. Ele terá de se assumir como empresário da agricultura para poder absorver todos os avanços disponíveis. O seu sucesso vai depender da sua capacidade e preparo para gerenciar a terra, afirma. (C.B.)





