Londrina, antes considerada capital do café, é hoje referência mundial em pesquisas sobre soja. Graças à Embrapa Soja, fundada em 1975 com o propósito de desenvolver tecnologias para produção da commodity no Brasil, a cidade concentra o maior número de pesquisadores do mundo que estudam a oleaginosa.
Até 1970, os plantios comerciais de soja no mundo restringiam-se a regiões de climas temperados e sub-tropicais. Os pesquisadores da Embrapa Soja romperam essa barreira, desenvolvendo variedades adaptadas às condições tropicais de baixas latitudes e permitindo o cultivo da oleaginosa em todo o País.
Outras tecnologias foram desenvolvidas e adotadas simultaneamente com as novas cultivares. Entre elas, o manejo dos solos e da sua fertilidade, o manejo adequado da cultura para os diferentes ecossistemas brasileiros, o manejo integrado das pragas e das plantas daninhas e o controle biológico da lagarta da soja e do percevejo verde. A tecnologia brasileira, desenvolvida em Londrina, já foi levada até ao Iraque para ajudar na reconstrução das regiões devastadas pela guerra.
Uma das áreas de pesquisa mais revolucionárias é a Biotecnologia. De acordo com Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa com doutorado em biologia molecular, nesse setor a empresa trabalha em três grandes linhas: a de marcadores moleculares, que identifica pedaços de DNA com a característica desejada para a planta; a prospecção, que inclui o estudo, o isolamento, a identificação e o desenvolvimento do gen de interesse; e os organismos geneticamente modificados (OGMs), cuja pesquisa envolve, entre outros assuntos, a polêmica soja transgênica.
Em parceria com multinacionais ou apenas com investimentos públicos, a Embrapa desenvolve tecnologia de ponta com relação aos OGMs. O produto mais polêmico, que está em fase de pré-comercialização, é a variedade resistente ao glifosato, conhecida como soja RR. As sementes foram desenvolvidas em parceria com a multinacional Monsanto, que cedeu a planta com o gen resistente ao herbicida para que a Embrapa desenvolvesse sementes com essa característica, mas adaptadas às diferentes regiões brasileiras. Prontas para plantio, as 11 variedades só chegarão às mãos dos produtores após liberação da CTNbio.
Na mesma linha, a empresa trabalha, em parceria com a também multinacional Basf, uma variedade resistente aos herbicidas da classe imidazolinonas. ‘‘Será a Soja CV’’, explicou Nepomuceno. O objetivo é oferecer sementes tolerantes a diferentes classes de agrotóxicos, para que o produtor possa escolher qual produto usar.
A terceira frente da área de OGMs da Embrapa busca desenvolver variedades de soja tolerantes à seca. Em fase de pesquisa, essas variedades são consideradas prioridade pelo pesquisador. Sem o apoio das grandes multinacionais, entretanto, os trabalhos esbarram na falta de verbas. ‘‘As outras variedades transgênicas surgiram antes porque as empresas investiram’’, comentou, acrescentando que o projeto da soja tolerante à falta de água é desenvolvido em parceria com o instituto de pesquisa japonês Jircas, dono da patente do gen. ‘‘A Embrapa é a única instituição do mundo com autorização para manipular este gen’’, revelou.

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