Embrapa busca parceiros e aumenta grau de eficiência
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Sandra Zambudio 
Especial para a Folha
Administração participativa, parcerias e maior proximidade com a sociedade brasileira são estratégias que o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), está adotando há três anos para gerenciar, com eficiência, uma das empresas públicas vinculadas ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento.
Estratégias que, ao que tudo indica, estão dando certo. Especialmente quando se analisa os resultados que a instituição vem conseguindo. Apenas neste ano foram lançadas no mercado 17 novas cultivares de soja, que representam o fim de um dos mais sérios problemas enfrentados pela sojicultura brasileira: o cancro de haste, uma doença que apareceu em 1989 e já causou ao Brasil um prejuízo de US$ 300 milhões. Seus cientistas criaram também a primeira cultivar resistente a outra doença que vem ameaçando a produção de soja no Brasil: o nematóide de cisto. Apenas na safra passada, a doença causou um prejuízo de US$ 150 milhões à produção nacional.
Outro resultado do trabalho da Embrapa-Soja neste ano foi o lançamento de uma nova variedade de girassol, que pode ser adquirida com preço bem mais acessível às disponíveis hoje no mercado.
Volta por cima Sediada em Londrina desde 1975, a Embrapa-Soja é uma das 39 unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pela geração de tecnologias para as culturas de soja e girassol, não apenas para o Paraná mas para todas as regiões produtoras do Brasil. Assim como outras empresas públicas, foi severamente afetada no início dos anos 90, quando os recursos do governo federal foram ficando cada vez menores.
Na época tínhamos apenas duas alternativas para enfrentar o problema: cruzar os braços e ficar nos lamentando ou arregaçar as mangas e buscar, fora da empresa, uma solução, diz José Francisco Ferraz de Toledo, chefe da Embrapa-Soja, à frente da instituição desde fevereiro de 1995.
Foi assim que a empresa encontrou na iniciativa privada e no trabalho conjunto com outras instituições de pesquisa, parceiros ideais para dar continuidade aos trabalhos de seus cientistas e tornar a Embrapa-Soja mais eficiente.
Seguindo as orientações das presidências da Embrapa, a instituição repensou seu papel, definiu sua missão, objetivos e diretrizes. Hoje, três anos depois, a empresa está conseguindo superar os problemas conjunturais e aumentar sua produção científica.
Neste ano, a empresa está coordenando 16 projetos e 118 subprojetos de seus pesquisadores e outros 53 de instituições parceiras que têm participação nos projetos de pesquisa da Embrapa-Soja, nas culturas de soja, girassol e trigo. Dentre eles, o Programa Soja na Mesa, que está sendo desenvolvido por especialistas em alimentos. O Programa é resultado do empenho da Embrapa em aperfeiçoar técnicas que alteram o sabor original da soja e a tornam saborosa. Agradando o paladar do brasileiro é possível tornar o uso da soja um hábito, aumentar o valor nutritivo de sua alimentação.
Segundo Todelo, a Embrapa-Soja quer oferecer à sociedade não apenas um alimento com qualidade nutricional, mas um produto capaz de preservar e recuperar a saúde do consumidor brasileiro. É que a soja tem componentes que auxiliam na recuperação do organismo de pessoas debilitadas por doenças crônicas e auxilia na prevenção de doenças, como alguns tipos de câncer.
Na opinião do chefe da Embrapa-Soja, a empresa enfrenta dificuldades com os recursos do Governo Federal cada vez mais reduzidos. Por outro lado a crise faz com que estejamos cada vez mais voltados para nossos clientes. Toledo acredita que essa é uma maneira de as empresas públicas passarem a cumprir seu verdadeiro papel: o comprometimento cada vez maior com a qualidade de seus serviços, de seus produtos para a sociedade como um todo.


