Emancipação
foi adiada
por dez anos
O Brasil tem uma tradição curiosa na forma como conta sua própria História. Apesar das mudanças, persiste entre nós uma ‘versão oficial’ que, curiosamente, destaca muito um certo modo de ser ‘pacífico’ do povo ao lado de uma bondade fantástica dos governantes.
Esta ‘cartilha’ mostra a História como uma série de fatos que surgem da bondade (e da vontade) dos dirigentes. Assim, quase todos os grandes eventos da História são mostrados como presentes e não como conquistas.
Entretanto, a própria História do Paraná mostra outro figurino. A luta faz parte da vida de um povo e começou muito antes da definição legal relativa à emancipação. Surgiu em função das não muito divulgadas dificuldades políticas do Império, na época. Com a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul e a insatisfação em Minas Gerais e São Paulo, o Governo de D. Pedro II precisava evitar a adesão da Comarca de Curitiba, que poderia facilitar um movimento generalizado.
O presidente da Província de São Paulo, barão de Monte Alegre, enviou a Curitiba um pouco hábil João da Silva Machado que em nome de Monte Alegre prometeu: o apoio da Comarca ao Governo valeria a elevação à Província. O comandante em chefe das forças legalistas, Duque de Caxias, confirmou a promessa. Com o fim da Revolução, o Barão de Monte Alegre tentou cumprir a promessa. Projeto apresentado em 1843 foi, porém, obstado pelos deputados paulistas que conseguiram adiar por 10 anos a tão desejada emancipação.

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