Mesmo com conquistas evidentes hoje em áreas como educação, direitos das trabalhadoras, proteção à maternidade, direitos políticos e na mudança de leis que eram fundadas na desigualdade de gênero, a emancipação da mulher ainda requer o avanço em outros aspectos, de acordo com a professora do departamento de História e coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná, Ana Paula Vosne Martins. ''As mulheres têm hoje todos esses direitos, isso foi uma vitória do feminismo'', avalia Ana Paula. ''Entretanto, a emancipação feminina depende da conquista da autonomia'', explica a professora.
A autonomia envolve aspectos como a sexualidade, as relações afetivas e as de gênero. ''As mulheres ainda têm uma relação de dependência emocional em relação aos homens. E não só em relação a eles, é preciso levar em conta também que não existem apenas mulheres heterosexuais'', afirma Ana Paula. Ela explica que as relações de poder atravessam as relações afetivas e, portanto, as mulheres precisam antes identificar e procurar atender os próprios desejos. ''As mulheres têm que estar conscientes do que elas desejam. As relações podem ser não apenas de poder mas de desejo, solidariedade, amizade e companheirismo'', explica Ana Paula. Além disso, a violência de gênero é um problema que permanece grave, lembra a professora. ''A violência contra a mulher ainda precisa ser equacionada'', alerta.
Nascida em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, a advogada Maria Paula Melquíades da Rocha aponta a exigência da beleza como outro problema que ainda persiste no que diz respeito à emancipação feminina. ''É uma agressão tanto física quanto moral. Ao mesmo passo que valoriza a conquista dos direitos, a mídia inferioriza a mulher sexualmente quando a coloca como objeto'', observa.
Maria Paula ressalta que ainda há um machismo muito grande com relação à sexualidade da mulher e que, em alguns casos, as próprias mulheres colaboram para isso. ''Não basta ter direitos iguais se você não se põe em posição de respeito. A própria mulher tem que se valorizar'', avalia. ''O importante não é só a beleza mas o que a mulher conquista pelo fato do que ela é como mãe, esposa e profissional'', completa Maria Paula. Para ela, as diferenças entre homens e mulheres também têm que ser levadas em conta nessa questão da valorização. ''A mulher é diferente e tem que ter tanto os mesmos direitos dos homens quanto ser respeitada por tudo o que ela faz. Só a gente engravida, amamenta. E o homem tem que ver que isso é importante'', defende. (D.R.)

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