EMANCIPAÇÃO Para a socióloga Silvana Aparecida Mariano, a questão da emancipação feminina abrange mais de uma realidade. As mulheres das classes baixas são excluídas das esferas de poder e quase não possuem oportunidades de ascensão no mercado de trabalho. As pertencentes às classes média e alta têm maior acesso ao poder, mas continuam recebendo salários menores que os homens e, pior, seu trabalho é encarado como ocupação de tempo, não tem estatus de solução para problemas financeiros. ‘‘A raiz do problema está na questão da socialização da mulher: desde pequena, ela é criada para conseguir um bom casamento, independente de outros objetivos que tenha traçado. Apesar de muitas mulheres contribuírem significativamente com o orçamento doméstico, seu trabalho ainda é tratado como banalidade. Elas não questionam a situação por terem sido educadas para absorver esse pensamento. É um problema ideológico que não corresponde à realidade’’, diz. A socióloga aponta a dupla jornada de trabalho como um dos grandes empecilhos para a emancipação e ressalta que a participação política é muito importante nesse processo. ‘‘Tradicionalmente, a atuação da mulher costumava limitar-se ao espaço privado, enquanto o homem agia no espaço público. Quando o limite entre essas duas esferas se rompeu, houve avanços. Devemos mudar não apenas as práticas cotidianas, mas a ideologia dominante.’’

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