São Paulo - Talvez não faça a mínima diferença para você, prezado(a) leitor(a), mas o fato é que o empresário mexicano Carlos Slim ultrapassou Bill Gates na lista dos mais ricos do mundo. Ele está em primeiro lugar no ranking, com US$ 67,8 bilhões, contra os US$ 59,2 bilhões de Gates. É uma quantidade absurda de dinheiro. Apenas um quarto dos países do mundo têm PIB maior do que a fortuna de Slim. E o patrimônio de ambos, feita a soma, representa mais do que o PIB de Cingapura.
Slim e Gates, contudo, não estão sozinhos no seletíssimo clube dos bilionários. Segundo cálculos da revista ''Forbes'', há 946 pessoas com mais de US$ 1 bilhão em todo o mundo. Eram apenas 140 em 1986. Nunca houve tantos super-ricos e fortunas jamais foram feitas de forma tão rápida - fenômeno típico da globalização econômica.
Recentemente, o economista Robert Frank, que assina uma coluna dedicada ao mundo do luxo e das abundâncias no prestigiado ''Wall Street Journal'', virou notícia nas seções literárias. Ao lançar nos EUA ''Richistan'' - ou ''Riquistão'', livro em que relata usos e costumes dos novos super-ricos - atraiu um bocado de resenhas e comentários estimulantes. Original no tema e rigoroso na pesquisa, ''Richistan'' tem tudo para ser um best-seller.
''Eu estava conversando com um milionário certa vez'', conta Frank, ''quando ele me falou que se sentia vivendo em um outro país''. Daí vem o nome: baseando-se em dados concretos, Frank explica esse Riquistão de poucos, país excêntrico, com códigos secretos e fobias particulares, um mundo cujas fronteiras se estendem até onde o dinheiro compra.
Neste país quase quimérico, não fosse a realidade das cifras, os habitantes não têm mordomos, mas ''household managers'', ou seja, ''gerentes do lar'' que programam aparatos tecnológicos, comandam batalhões de empregados e funcionam até como agentes de viagem - para os patrões, claro. Símbolos de status são os aviões - o Gulfstream, o melhor jato executivo do mundo, virou coqueluche -, os iates de 300 pés e os automóveis de milhão de dólares.
Carros Mercedes estão fora. Os muito ricos, nos EUA, dirigem Maybach - fala-se máibók. São feitas apenas mil destas máquinas por ano, em uma fábrica alemã que construía motores de tanques e zepelins na Segunda Guerra. Poucos reconhecem um Maybach na rua, mas, para os incrivelmente ricos, é assim. Seus símbolos do luxo são tão exclusivos que só podem ser compreendidos ''intra-mundo''.
O Riquistão é um planeta à parte, tanto que seus habitantes não têm contato com pobres, nem mesmo com a classe média. Um mundo no qual, a partir do primeiro bilhão, extingue-se a divisa entre o que pode e o que não pode ser adquirido. A diferença mede-se em algarismos. O número pelo qual se avalia cada fortuna: o número no ranking da ''Forbes''.
É assim o espírito de competição velada no Riquistão. ''Certa vez perguntei a um bilionário se ele era rico'', comenta Frank. ''Ele respondeu que não. Este sujeito é amigo de Bill Gates. Quando compara sua fortuna com a dele, sente-se classe média.''
Diz ainda Robert Frank que o Riquistão, quem diria, está se globalizando. Fora dos EUA, também cresce a quantidade de milionários no Reino Unido, na França, Alemanha, Rússia, no Japão e Oriente Médio. Mas há um novo grupo de países produzindo riquistaneses: China, Cingapura, Quênia, México, Argentina e, pasmem, Brasil.

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