Curitiba está repleta de forasteiros de outras terras, alguns são famosos, como o músico Hermeto Pascoal, que radicou-se aqui recentemente. Outros são anônimos, que vêm do interior atrás de oportunidades profissionais, ou dos grandes centros em busca da qualidade de vida que uma capital de menor porte oferece.
Mas os motivos são diversos, cada época marca um tipo de atrativo diferente. A instalação de grandes empresas, a propaganda de ''cidade de primeiro mundo'', o esgotamento das fronteiras agrícolas no Norte do País, ou a diminuição da oferta de empregos nos grandes centros, geram um movimento de vai e vem de migrantes de outras cidades, que hora fluem para o Paraná, hora deixam o Estado.
O motivo que trouxe o músico gaúcho Hilton Barcelos para a capital paranaense, em 1972, foi o futebol. Veio com a mãe, que deixou Porto Alegre para trabalhar em Curitiba. Na época, com 21 anos, chegou a treinar no clube Colorado, mas a música falou mais alto e ele trocou a bola pelo violão. Com o tempo, suas raízes foram se solidificando. O nascimento de um filho e a realização de trabalhos em solo paranaense tornaram Curitiba sua casa. ''Aqui a gente se sente seguro, Curitiba tem ares de cidade do interior'', justifica.
Oriundo de Jaguapitã, no norte paranaense, o escritor Wilson Bueno também acha Curitiba uma ''cidade amistosa''. Ele veio ainda criança para a capital e saiu dela aos 18 anos para construir uma carreira literária no Rio de Janeiro. ''Antigamente era muito difícil criar um nome longe do eixo Rio-São Paulo'', afirma. Ao voltar a Curitiba, já com 30 anos, foi que ele sentiu o choque cultural que muitos forasteiros experimentam ao pisar na capital das araucárias. ''É um contraste muito grande, até por conta do clima'', conta.
O escritor Cristovão Tezza, autor de romances de sucessos como Trapo e O Fotógrafo, acha Curitiba uma cidade confortável para escrever. ''É tranquila, ninguém te chama pra sair de casa'', brinca. Nascido em Lages, Santa Catarina, ele veio ainda criança para o Paraná e não experimentou choques de cultura. Muito pelo contrário, absorveu o cenário urbano da cidade para situar algumas de suas histórias. ''Faço um registro sensorial realista, mas não escolho o cenário. O escritor não escolhe nada'', afirma.
Às vezes este processo é inverso e a cidade absorve os contrastes culturais trazidos pelos imigrantes de outras regiões do País. Há nove anos na cidade, Carlos Ferraz de Almeida, de 30 anos, obteve êxito ao criar em Curitiba um grupo de Capoeira de Angola. Nascido e criado em Olinda (PE), ele trouxe diversas manifestações da cultura nordestina que germinaram no solo paranaense, como o teatro de bonecos e os ritmos regionais, como maracatu, forró e outros.
Seu grupo de capoeira pode servir como amostra da variedade demográfica curitibana. Dos 15 praticantes, apenas 4 nasceram na capital paranaense. (A.A.)

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