Imagem ilustrativa da imagem Em tempos de crise, estude
"Diminua as compras, as viagens, os churrascos, as pizzas. O que não pode diminuir é o investimento na formação", orienta a psicóloga e coach Gislene Isquierdo



Não é de hoje que o mercado de trabalho exige profissionais cada vez mais qualificados e atualizados em relação aos fatores que transformam as demandas das empresas. Diante de um cenário de crise como o que o Brasil enfrenta hoje, essa busca pelo aperfeiçoamento é decisiva para a manutenção de um emprego ou uma rápida recolocação. Como o curso superior já deixou de ser o diferencial para se tornar o básico num currículo, especialistas afirmam que é a pós-graduação que pode fazer a diferença. Mas é preciso estratégia na escolha do curso.
A psicóloga e coach Gislene Isquierdo é taxativa: mesmo em tempos de recessão econômica, o investimento em capacitação não pode ser sacrificado. "Nesses tempos, as pessoas querem cortar custos do orçamento, principalmente se estiverem desempregadas. Diminua as compras, as viagens, os churrascos, as pizzas. O que não pode diminuir é o investimento na formação, porque é ali que a pessoa vai se recolocar, vai se atualizar e conhecer gente que pode ajudar", afirma.
Isso vale tanto para quem está desempregado quanto para quem está trabalhando. Ser especialista na área em que atua ou pretende atuar pode ajudar a manter um emprego, conseguir um novo ou até garantir uma promoção. "Hoje em dia, menos de 5% da população brasileira tem pós-graduação ou é fluente em um segundo idioma. Por isso a importância de uma qualificação para ganhar destaque no mercado de trabalho", afirma o diretor de educação da Catho, Cristovão Loureiro.
Segundo ele, o nível de capacitação também pode ter impacto no salário, qualquer que seja a área de atuação. "Os dados da 51ª Pesquisa Salarial da Catho, realizada em 2015, mostraram que a diferença salarial entre um profissional que só tem ensino superior e outro que cursou uma pós-graduação ou MBA no cargo de diretoria, por exemplo, pode chegar a 22,5%."
E como no mercado de trabalho uma boa indicação pode ser o empurrão que faltava, Loureiro destaca ainda outro benefício que a especialização pode trazer. "Fazendo uma pós-graduação, a pessoa está montando um networking com pessoas que estão interessadas nos mesmos assuntos que ela. Disso pode surgir uma oportunidade de emprego ou até mesmo uma parceria para uma nova empresa".

COMO ESCOLHER
A oferta de cursos de pós-graduação tem crescido no mesmo ritmo em que crescem as exigências do mercado. Com tantas opções, fica difícil saber qual será o mais adequado para a função que se ocupa ou se pretende ocupar. Para a coach Thaís Bruschi, essa deve ser uma decisão muito bem pensada. "Uma pós-graduação exige um investimento grande de tempo e dinheiro. Por isso, o profissional precisa saber muito bem o que quer do curso", argumenta.
Quando o profissional não sabe em que área se especializar, a sugestão da coach é experimentar por meio de cursos rápidos. "É uma forma de ter informação rápida e barata. Até mesmo pesquisando na internet ou lendo livros sobre aquela atividade, o profissional consegue saber se é aquilo que ele busca ou não", garante Thaís.
Gislene concorda que a especialização tem de estar alinhada com os objetivos profissionais, mas ressalta que, ainda que seja numa área diferente daquela em que atua, o investimento em conhecimento nunca é perdido. "A pior especialização é aquela que você não faz. Só não vale fazer somente pelo título, tem de extrair algum aprendizado."

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