Em prol da união das linguagens
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Uma mesma história pode ser contada de diversas maneiras, uma mais interessante que a outra. O que é fator determinante para isso é a linguagem: cada uma tem sua característica única de sensibilizar a platéia. E o projeto Ruído Corporation comprou essa idéia, com o objetivo de levar espetáculos multilinguagem para diversos bares de Curitiba durante o ano todo.
''O projeto começou com a idéia de trazer bandas de fora, igual o pessoal da festa Peligro faz em São Paulo'', explica André Ramiro, um dos idealizadores do projeto e membro da banda ruído/mm.
A idéia de reunir outras linguagens nasceu espontaneamente, a partir da predisposição do ruído/mm de sugerir imagens durante sua apresentação. ''A gente é audiovisual desde o começo, a gente se enxerga audiovisual e por isso temos sempre a referência do cinema, das trilhas de cinema'', comenta Ricardo Pill, que também está à frente do projeto e da banda. ''Banda com vocal é mais fácil chamar atenção e banda instrumental como a nossa não tem como ficar se mexedo muito, a gente colocou as imagens'', completa Ramiro.
O passo seguinte para a realização dessa mistura de música com imagens foi chamar o quadrinhista DW para confeccionar os cartazes, que sozinhos divulgam cada edição da festa e juntos formam uma história completa. ''Isso está sendo um experimento que nunca foi feito. Como a música (do ruído/mm) é instrumental, decidi não colocar fala na história e a própria música também gera várias interpretações'', reflete o artista curitibano, que já trabalhou com outra linguagem, o teatro, junto com a arte sequencial.
Depois de lançada a idéia, o projeto tomou corpo e até agora foram realizadas duas festas em Curitiba, em dois bares diferentes. E a ''corporação'' aumentou. ''Algumas bandas já trouxeram um pessoal e o resto dos parceiros a gente foi conversando e trazendo, a maioria com bate-papo informal na noite'', lembra Pill.
Mas colocar tantas linguagens em apresentação ao mesmo tempo não incomodam ou trazem conflito para quem está na platéia? ''Não, porque na verdade o pessoal que está ali se apresentando fica compondo um para o outro. Enquanto o Colorir (banda de Santa Catarina) tocava, por exemplo, tinha um pessoal pintando uns painéis com um céu'', ilustra Ramiro.
As próximas atrações já estão confirmadas e a experiência multilinguagem deve aumentar a cada edição. ''Tem uma festa à fantasia agendada para o dia 13 de abril e já fechamos com bandas como Constantina (MG), Sol (RS), La Carne (SP), Labirinto (SP), Soda Café (SC) e outras'', afirma Ramiro. ''São sempre bandas de pequeno porte que estão ganhando projeção e a gente faz a festa na base do intercâmbio, traz as bandas para cá e eles levam nossa banda pra lá'', resume Pill.
No total serão doze festas, que devem acontecer nos primeiros finais de semana de cada mês, sempre com a proposta de reunir mais pessoas e manifestações artísticas das mais variadas. ''Não nasceu formatado, o objetivo é fazer uma experiência sinérgica e a gente está querendo reunir mais gente, mais coisas. Quem quiser participar pode entrar em contato com a gente'', diz Pill. Quem quiser fazer parte do projeto pode mandar uma mensagem para os endereços eletrônicos do projeto são [email protected] e [email protected].


