José Pedro Lima, o J. Pedro, o Xunxo, Xuxo ou Xuxulin, entrou na Folha em 1970. Era intercalador de jornal. Um ano depois, 1971, acumulou a função de vendedor e distribuidor. Foi numa noite de rota, às 4 horas da manhã, que fez sua primeira foto a ser publicada no jornal. Um caminhão de leite, desgovernado, bateu numa árvore e pegou fogo. J. Pedro foi à Redação, pegou sua máquina de amador e fez a foto. O faro de bom fotógrafo manifestou-se aí.
Ao longo de 28 anos de profissão, J. Pedro teve o reconhecimento em premiações e fotos publicadas em grandes jornais e revistas do Brasil. Em 1984, recebeu menção honrosa no 1º Prêmio Paraná de Jornalismo, com a foto ‘‘Exposição.’’ Também foi premiado duas vezes no ‘‘Wladimir Herzog’’: em 1985, com a foto ‘‘Despejo dos Sem-Terra’’; em sétimo lugar, e, oitavo lugar, em 1986, com ‘‘A Espera’’. Essa mesma foto foi premiada também em 1986, no 3º Prêmio Paraná de Jornalismo. Em 1991, conquistou o primeiro lugar no Concurso Sociedade Rural do Paraná, com a foto ‘‘Canção de Ninar’’.
Em 1972/73, J. Pedro acumulava duas funções, além de intercalador e entregador de jornais de madrugada, no período da tarde e à noite era ajudante e aprendiz no laboratório fotográfico da Folha. ‘‘Aprendia com Darci Felix, Magno Jorge, Chico Rezende e Wagno Barra Rosa.’’
Em 1973, passou a trabalhar somente no laboratório fotográfico do jornal. As pautas de fotos a serem cumpridas eram feitas somente na conversa com o repórter. ‘‘Existia o chamado Casal 20, ou seja, o mesmo fotógrafo e o mesmo repórter que saíam sempre juntos. Na conversa decidia-se que tipo de foto fazer.’’
Viagens e experiência‘‘As fotos mais elaboradas eram feitas só em reportagens especiais; não existia a preocupação em produzir fotos como existe hoje’’, lembra. Tudo era feito na criatividade e boa vontade do fotógrafo. J. Pedro trabalhou muitos anos com os repórteres do Regional da Folha (Jota Oliveira e Widson Schwartz), conhecendo ‘‘todos os buracos do Paranᒒ: ‘‘Toda viagem que tinha para estrada de chão e lugares mais distante, lá ia eu. Como era aprendiz, sempre sobrava para mim. A vantagem foi que adquiri mais experiência.’’
Em 1977, José Pedro saiu do jornal para trabalhar na empresa Rocha & Feldman (Alexandre Rocha Filho e Estélio Feldman), fazendo fotos para reportagens pubicitárias. Ficou na empresa dois anos. Retornou à Folha em 1980, como repórter fotográfico. De lá para cá presenciou toda a evolução tecnológica da fotografia no jornal. De preto-e-branco para colorido.
J. Pedro permaneceu na edição de fotografia por sete anos, coordenando todo o sistema para publicação de fotos para o jornal. No final de 97, saiu da Folha e montou seu próprio negócio, um laboratório fotográfico. Mas continua fazendo trabalhos profissionais - muito requisitados - na área de publicidade.Mário CésarJ. Pedro na sua loja de fotografia: ele começou como entregador de jornal para assinanteCláudia Barberato

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