Decidir onde matricular os filhos pode ser uma escolha complexa. É preciso equacionar qualidade, custos, distância, valores da escola, cultura alimentar. A lista segue e se complica ainda mais quando começam a surgir nomes como "construtivismo", "Piaget", "Waldorf" ou "Montessori".

As crianças podem acompanhar os pais para ver se elas gostam da escola, mas a decisão final deve ser tomada por adultos, alerta especialista
As crianças podem acompanhar os pais para ver se elas gostam da escola, mas a decisão final deve ser tomada por adultos, alerta especialista | Foto: Shutterstock



Não precisa ser assim, segundo especialistas ouvidas pela Folha de Londrina. Para elas, mais importante do que tentar se tornar um expert no assunto é simplesmente fazer uma visita e tirar impressões do que se vê e sente.

Segundo Simone Carlberg, presidente da Seção Paraná da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), os pais podem confiar as questões de ensino à equipe pedagógica e prestar atenção em outros critérios, como a qualificação de seus profissionais e a política de formação permanente da instituição. "É a pergunta mais importante [sobre a questão pedagógica]", diz Simone. "Se a escola me responde que a equipe pedagógica se reúne uma vez por ano, para mim, já é um critério de exclusão", explica.

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"Não adianta complicar demais e achar que os pais praticamente têm de fazer um curso de pedagogia para escolher a escola dos filhos. Não é assim. Até porque a gente sabe o que é uma escola. Todos passamos por uma e sabemos como é uma escola bacana."

Ao conhecer a instituição, os pais devem prestar atenção aos sinais. Segundo Simone, aspectos como a organização e até o cheiro podem fornecer respostas. "O ambiente fala", diz.

Uma orientação parecida é dada por Evelise Portilho, professora da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). A pedagoga e psicopedagoga compara esta etapa com a intuição que é acionada quando se conhece pessoas novas. "É o conhecimento tácito, que não passa pela racionalidade, e sim pelas emoções", diz. "O que aquele espaço está dizendo? Em alguns, você vai se sentir acolhido; e em outros, nem tanto. É nesse sentido", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Em dúvida sobre escola para os filhos? Use a intuição



ACOLHIMENTO
Este foi o critério final para a advogada Priscila Castagnoli de Brito, que vive em Campo Largo e trabalha em Curitiba. Ela conta que a procura da escolinha da filha Isabela, hoje com 1 ano e 4 meses, começou pela internet.

"Num primeiro momento, a gente acaba pesquisando o método, a pedagogia. Mas o fator determinante, sem dúvida, foi a questão acolhedora dos professores, a estrutura. A questão do feeling fala muito alto", conta.

No fim, a advogada acabou optando por matricular a filha em uma escola de Campo Largo, para evitar ter de pegar a estrada todos os dias com ela.

A distância, aliás, é mesmo outro aspecto importante que deve ser levado em consideração, segundo Simone Carlberg. A psicopedagoga recomenda que os pais priorizem escolas nas proximidades de onde moram também para evitar tempos longos de deslocamento na volta para casa. Ela explica que esta é a hora mais estressante para as crianças, sobretudo as pequenas. "É justo o horário em que há fome, cansaço, sono. Há todo um estresse dentro do carro que afeta a qualidade da relação delas com os adultos", enfatiza.

No caso de crianças mais velhas, Simone ressalta outro ponto fundamental: quem deve fazer a escolha são os pais. "Vemos muitos levando as crianças para ver se elas gostam da escola, mas essa é uma escolha a ser feita por adultos", diz.

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