Em dois anos, Londrina perde 763 empregos industriais
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segunda-feira, 02 de junho de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), também revelam o nível de desaquecimento econômico de Londrina, pelo menos quando a comparação é feita com as demais cidades do Estado ou da Região Sul. Embora tenha a segunda maior população, Londrina ficou em terceiro lugar no ranking estadual das que mais criaram empregos no ano passado. E, neste ano, está em quarto. Em 2013, Curitiba criou 8.977 vagas e Maringá, 6.637 - 51% a mais que as 4.392 de Londrina. Nos primeiros quatro meses de 2014, o saldo de emprego da capital foi de 11.642, o de Maringá, de 3.597, e o de Cascavel, de 3.230. Londrina vem bem abaixo, com 2.607 novos postos de trabalho.
A reportagem comparou também os saldos de emprego de Londrina, no primeiro quadrimestre deste ano, com os das outras 18 cidades brasileiras que têm entre 400 mil e 550 mil habitantes. Neste cenário, sem nenhuma outra cidade do Paraná, Londrina está bem posicionada. Ficou em quarto lugar, com 2.607 vagas. Mas, perde para as duas outras da Região Sul. Joinville se saiu bem melhor, com um saldo de 6.990 vagas. Caxias do Sul gerou 4.855. No primeiro lugar da lista, a paulista São José do Rio Preto criou três vezes mais empregos que Londrina: 8.348.
O Caged também é um bom termômetro para mostrar o processo de desindustrialização de Londrina. Das principais cidades do Estado, é uma das poucas que apresentaram saldo negativo de emprego na indústria de transformação nos últimos três anos (2011-13). No período, foram 49.164 admissões na indústria londrinense, contra 49.927 demissões, ou seja, um saldo negativo de 763 vagas.
Beneficiadas principalmente pelo segmento da agroindústria, Maringá e Cascavel geraram 1.192 e 1.420 vagas, respectivamente. A capital abriu apenas 196 e Ponta Grossa, 759. As cidades menores da região metropolitana de Londrina ganharam empregos industriais naqueles três anos. Cambé e Ibiporã tiveram saldo positivo de 76 e 516 vagas, respectivamente. Arapongas e Rolândia abriram 1.845 e 941, respectivamente.
O Fórum Londrina Desenvolve, que reúne 38 entidades londrinenses uma vez por semana para discutir temas relevantes da cidade, neste ano está debatendo a industrialização. Segundo o presidente da entidade, o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), Campus Londrina, Charles Vezozzo, incrementar a indústria local é fundamental para o desenvolvimento de Londrina. "Precisamos de uma indústria pujante. Não vejo como uma economia regional desenvolver-se sem indústria", afirma.
Para ele, a economia de Londrina patina por um conjunto de fatores. "Não é culpa de uma administração ou de outra. É uma falta de planejamento e de cultura de industrialização ao longo dos anos", declara. Segundo Vezozzo, as soluções para que a cidade volte a crescer mais fortemente não virão a curto prazo.



