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segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Bem-humoradas e criativas, as peças publicitárias ganham cada vez mais a simpatia do público e são responsáveis pela aproximação entre a marca e o consumidor. As propagandas de hoje, no entanto, são muito diferentes das que eram veiculadas há 40 anos, por exemplo. O publicitário e professor da Unopar, Fábio Barbosa Dias, afirma que da década de 1950 até os anos 90 a publicidade feita pelas empresas era muito semelhante e formal. "Isso deixava as propagandas muito parecidas, usava-se muito os elementos superlativos e colocava as marcas todas no mesmo patamar", lembra. Conforme ele, o que quebrou essa característica foi o garoto Bombril nos anos 90. "A forma coloquial como o personagem conversava com a dona de casa permitiu que a publicidade ganhasse facilidade de comunicação", completa.
Dos anos 90 para cá muitas mudanças foram notadas. Mais criatividade e mais proximidade com o cliente foram características adotadas pelo setor nas últimas décadas. "A grande jogada hoje é a simpatia que o consumidor atual sente pelo produto. Ele vê uma peça publicitária e se sente próximo da marca", comenta. Fábio afirma que hoje a ideia é fazer com que cada marca tenha identidade e alma próprias e isso ajuda a segmentar o público-alvo. "Hoje temos vários tipos de consumidor, dependendo da maneira como a publicidade é feita nós conseguimos selecionar o público que mais interessa e a linguagem tem uma importância grande nesse fator", ressalta. Para ele, o publicitário é na verdade um adequador de linguagem e escolhe a melhor forma de apresentar a marca conforme o tipo de consumidor que ele quer alcançar.
O professor salienta que hoje a propaganda precisa ser muito criativa para ser eficaz e atrair o público porque as pessoas recebem diariamente influência de uma quantidade muito grande de publicidade. Na contramão da criatividade estão as propagandas de cerveja, que usam sempre a mesma fórmula: mulher bonita de biquíni, sol e praia. Conforme o publicitário, o público não consegue diferenciar as peças publicitárias entre uma marca e outra porque são todas muito parecidas. "Na busca pela eficiência, muitos publicitários e empresários ficam com medo de ousar, mas a mudança é bem aceita. No início do ano uma das marcas de cerveja inovou trazendo uma propaganda que se passava dentro da fábrica, e ela chamou muito a atenção do público porque mudou a abordagem", comenta.
Conforme ele, as boas campanhas nos dias atuais usam humor e elementos inesperados. "Uma campanha com essas características cria uma empatia grande do cliente em relação à marca. O segredo está em ser criativo, ousar e não ter medo da reação do público", ressalta Fábio.
Jingles
Amante dos jingles, Fábio destaca que esse recurso foi praticamente abandonado pelos empresários e publicitários nos últimos anos. "Cada vez as marcas criam menos jingles e isso de certa forma faz com que a propaganda fique estagnada", aponta. As famosas musiquinhas dos comerciais sobrevivem ao tempo mesmo que a campanha já tenha saído do ar ou a marca já não existir. É o caso do Banco Bamerindus, a marca não existe desde 1997, mas a música que fazia referência à poupança é lembrada pela maioria das pessoas que viveram as décadas de 80 e 90. "Os jingles ficam para sempre e nos remetem à marca", salienta. Outro exemplo do publicitário é referente ao Banco Nacional, que não existe há mais de 20 anos, mas que é lembrado por conta da música usada em uma das campanhas de Natal. Para ele, o jingle é a peça publicitária que mais se aproxima da arte. Os empresários, como opina, estão deixando de lado um elemento que tem grande importância na fixação da marca.



