Em busca do conhecimento
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O processo de seleção na pós stricto sensu varia de universidade para universidade, e de curso para curso. Envolve geralmente provas escritas e análise de currículo, explica o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mário Mantovani. "Normalmente, (a seleção) ocorre por meio de um prova de conhecimentos gerais e específicos, análise de currículo, entrevista e um projeto ou plano de trabalho", acrescenta Hélio Suguimoto, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto sensu da Unopar.
O pró-reitor da UEL lembra que, na pós-graduação stricto sensu, o aluno pode contar com cotas de bolsas oferecidas pela Fundação Araucária, Ministério de Ciência e Tecnologia e pela Capes. "Metade dos alunos de pós (stricto sensu) são bolsistas."
"O processo de desenvolvimento científico do aluno no stricto sensu começa desde cedo", reitera Mantovani. O pró-reitor recomenda ao aluno que deseja partir para o stricto sensu a, desde a graduação, fazer estágios, participar de projetos de pesquisa, participar de eventos para iniciar no universo da pesquisa. O seu envolvimento com estas atividades desde cedo pode também contribuir para o seu currículo para a seleção no mestrado.
A pesquisa na pós-graduação stricto sensu começa de um tema com o qual o aluno possui afinidade. A partir daí, ele deve procurar grupos na instituição que possuem pesquisas sobre o tema e vivenciá-lo na prática para se certificar de que é realmente um tema sobre o qual deseja se debruçar, orienta o pró-reitor da UEL. Em seguida, é hora de fazer contato com a literatura para descobrir como o tema está sendo tratado pelo mundo e se existe uma lacuna no conhecimento sobre o assunto, continua Mantovani.
De acordo com o diretor de pós-graduação Pablo Deivid Valle, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a tese de doutorado, em especial, exige uma proposta inovadora, original, inédita que contribua para a evolução da sociedade e para o avanço do conhecimento. Durante a pós-graduação stricto sensu, o aluno também pode escrever artigos que, mais tarde, constarão de um banco de dados mundial. Desta forma, outros pesquisadores poderão consultá-lo e dar continuidade ao progresso da pesquisa.
Para Sidney Lourenço, diretor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Londrina, o tema de uma pesquisa parte de uma necessidade. "O tema deve surgir de uma necessidade, de um problema, de uma vontade de construir conhecimentos e aplicá-los na solução de problemas", ressalta.
Isso foi o que fez o professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Heber Vargas. Ele concluiu o doutorado no ano passado, e sua linha de pesquisa sobre o papel da inflamação e do estresse oxidativo em pacientes depressivos e/ou fumantes - partiu do grupo no qual atua, no Ambulatório de Tabagismo, vinculado ao Ambulatório do Hospital de Clínicas da universidade. "O ideal é que se tenha uma linha geral, e a linha específica parte do grupo, do contato com as pessoas", orienta.
"O aspecto mais importante (do projeto de pesquisa), na minha opinião, é definir uma hipótese para o objeto de estudo. A partir daí, propor como testar esta hipótese", destaca, por sua vez, Edilson Silveira, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). "Como estamos falando de expansão do conhecimento, toda a proposta tem de estar baseada fortemente nos estudos desenvolvidos anteriormente e propor como avançar no entendimento do problema a partir desses estudos, isto é, o que a tal hipótese significaria em termos de ganho nesse entendimento."
Para isso, o pesquisador precisa ser, acima de tudo, um curioso, completa Sílvio César Sampaio, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). "Afinal são as perguntas que movem o conhecimento, e não as respostas."
Em geral, o aluno de mestrado tem até seis meses para apresentar o seu projeto de pesquisa. No doutorado, é esperado que o estudante já possua este projeto em mãos, afirma Mantovani. A defesa do projeto de pesquisa é parte do processo de seleção para o doutorado.



