Buscar melhorias para o bairro, estimular a união dos moradores, reivindicar ações do governo. São atitudes prometidas pelas associações de moradores, que hoje somam mais de 1,2 mil em Curitiba e Região Metropolitana, segundo dados da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (Femoclan). No histórico, casos que geraram conquistas importantes para a população, mas também exemplos de pessoas que utilizaram a entidade apenas para se promover politicamente.
Valdivia dos Santos está há 22 anos participando da rotina da JPG Associação de Moradores, em São José dos Pinhais, que reúne representantes dos bairros Júpiter, Planalto e Guanabara. Por dois anos foi 2 tesoureira, passou quatro anos como vice-presidente e agora está completando 16 anos na presidência da entidade. O estímulo foi simples: melhorar a qualidade de vida do bairro em que vive. ''Coloquei na minha cabeça que, quando você mora num lugar, quer sempre o melhor, uma boa estrutura. E não podemos ficar só exigindo do governo, precisamos nos mobilizar para contribuir'', argumenta.
Entre as conquistas acumuladas nos últimos anos, Valdivia destaca a construção da sede, possibilitando um lugar para as reuniões e as atividades do Centro Cultural. O prédio conta com biblioteca e sala de informática, voltadas para a comunidade. No ano passado também foram disponibilizados 12 cursos, entre pintura em tecido e em tela, street dance, dança de salão, violão e escolinha de futebol, formando mais de 1,4 mil alunos, com direito a certificado.
''Foi preciso começar esse trabalho com poucas adesões, já que, como é voluntário, muita gente não gosta de participar, inscrevem-se mas logo não aparecem mais. Mas acho que valeu a pena'', comemora Valdivia. Segundo a presidente, os cursos estimulam a geração de renda. ''Quem aprende aqui pode fazer esses produtos para vender e ajudar nas contas de casa.''
Ela destaca ainda que a associação passou a ser referência no momento da busca por soluções como asfalto, saúde e habitação. ''Eles passam por aqui e daqui encaminhamos os pedidos para a prefeitura, diminuindo a burocracia'', resume. Os recursos para a manutenção dos trabalhos vêm da Festa do Pinhão e das mensalidades dos cursos, que hoje custam R$ 5, além do aluguel do salão de festas nos fins de semana.
Aproveitadores - Mas há também histórias de quem só prejudicou o bairro. João (nome fictício) prefere não se identificar. Atual presidente de uma associação de moradores de um bairro de Araucária, ele narra os diversos problemas que seu antecessor deixou nas suas mãos, como dívidas e a desorganização da entidade.
''Ele assumiu prometendo muito, mas ação mesmo foi pouca. A associação tem as pessoas que contribuem, que doam algum dinheiro para sustentar todo o trabalho, como pagamento de contas de água e luz, compra de materiais utilizados na sede. Só que o interesse dele era ser candidato a vereador, na eleição de 2004, então usava o cargo ali para se promover. Ele perdeu a eleição e saiu. Quando assumimos encontramos várias contas sem pagamento, com a luz e a água prestes a serem cortadas. Agora estamos querendo saber para onde foi esse dinheiro. A desconfiança é que tenha ido para a campanha dele'', suspeita.
Para João, o maior prejuízo é a imagem que a entidade passa a ter. ''Se alguém dá um dinheirinho para ajudar e ele acaba tendo um outro destino, a instituição perde a credibilidade e a pessoa não doa nunca mais. Mesmo a atual administração sendo séria, muita gente torce o nariz e fala que é tudo igual. Aí as dificuldades triplicam'', lamenta.

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