Eles trabalham com sol intenso, chuva forte, frio e calor. Muitas vezes sofrem preconceito pela profissão. No entanto, para atrair maior quantidade de pedreiros com o objetivo de atender a demanda de construções, o Serviço Social do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Seconci) passa a oferecer benefícios para a classe. Eles desenvolvem ações e atividades que valorizam os profissionais deste setor.
  Cursos de aperfeiçoamento, ginástica laboral no canteiro de obras, palestras sobre qualidade de vida e saúde (drogas, alcoolismo, tabagismo e segurança no trabalho), apresentações de peças teatrais com temas educativos e motivacionais são algumas das ações que o Seconci desenvolve com os profissionais da construção civil. São 6 mil atendimentos por mês. Além destas atividades, as empresas que seguem os padrões exigidos possuem banheiro no local da obra, espaço apropriado para comer, aparatos de segurança, uniforme e espaço para tomar banho ao fim do expediente.
  Esta vitória que os trabalhadores tiveram ainda não refletiu no aumento de profissionais interessados em atuar no setor. Não houve nos últimos anos incentivo para que eles ficassem na construção civil, já que no passado não havia muita opção de emprego nesta área. Como hoje a falta de mão-de-obra especializada atrasa a construção de residências e prédios comerciais, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) foi atrás da verba do Plano Setorial de Qualificação (Planseq), do governo Federal, para capacitar 13 mil pessoas que recebem o Bolsa Família para atuar na construção civil. São R$ 7,3 milhões investidos no projeto. O Paraná foi o primeiro Estado a solicitar verba do Planseq para este setor. Os cursos de capacitação devem iniciar ainda este ano.
  João Carlos Cunha Guarinello, proprietário da Concretiza Construtora de Obras, do Grupo Resistence, diz que comprar um imóvel está mais fácil devido ao grande número de empréstimos realizados. ‘‘Isso fez com que profissionais da construção civil fossem mais valorizados’’, explica o empresário.
  A Laguna Construtora & Incorporadora não pretende perder seus funcionários tão cedo. Para isso, oferece benefícios como café da manhã, almoço, seguro de saúde, treinamentos semanais sobre saúde, segurança e técnicas de trabalho, áreas de convivência como vestiários, banheiros e refeitórios, oportunidade de alfabetização no canteiro de obras e programa de metas da empresa. Em uma das obras existem oito pedreiros e 10 carpinteiros, além de serventes, guincheiros e demais funcionários. Porém, a construtora está em busca de mais profissionais.
  A Laguna realiza hoje três obras de edifícios. Uma delas ficará pronta apenas em 2010, o que garante emprego para muita gente. Segundo o diretor geral da construtora, Gabriel Raad, eles agora procuram por mais pedreiros para dar conta do volume de trabalho. Para o diretor, atividades que promovem o bem estar do funcionário são fundamentais para uma boa produção. ‘‘Dar um ambiente saudável, elevar a auto-estima do profissional e aperfeiçoar suas competências garantem a sustentabilidade do setor da construção civil’’, garante Raad.
  Um dos funcionários da Laguna é o pedreiro Valdir Pedroso. Ele não possuía muita familiaridade com a língua portuguesa, tendo dificuldade em escrever e ler. Assim, resolveu participar do projeto ‘‘Canteiro da Educação’’, desenvolvido pelo Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe) e com apoio da Secretaria Estadual e Municipal de Educação e do Sinduscon-PR. O curso durou três meses com aulas todos os dias, realizadas no próprio local de trabalho. ‘‘Não paguei nada e o curso ajudou muito no meu trabalho’’, conta Pedroso. Funcionários de outras empresas também podem participar do projeto, sem nenhum custo.

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