A costureira Maria Heloísa DA’vila da Silva, mais conhecida como Tita, possui fortes laços com o vilarejo Jaguatirica, no município de Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba). Além de possuir um terreno de 51 hectares, ela também integra a Associação de Artesanato Jaguatirica Fazendo Arte. São 12 pessoas que fabricam objetos sob encomenda de grandes empresas. Os integrantes fazem brindes como sacolinhas de lixo para carro, porta-moeda, carteira e porta-óculos, tudo feito com o lixo doado por uma indústria automobilística de Quatro Barras.
Os objetos são fabricados com os restos de um tecido usado para revestir as peças usadas na montagem dos carros. As participantes dividem o lucro obtido com as horas trabalhadas e 20% fica para a caixa de reserva. Um designer do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) auxilia na concepção das peças e Tita faz a capacitação das integrantes do projeto Jaguatirica.
Quando soube do projeto, o Idéia Ambiental - Instituto de Pesquisa e Conservação da Natureza, organização não-governamental e sem fins lucrativos, estabeleceu uma parceria. Isso rendeu sacolas ecológicas desenvolvidas pelas costureiras e utilizadas pelo instituto. O objetivo era incentivar ainda mais a geração de renda ao mesmo tempo em que contribui com a redução de lixo na região.
Porém, o Idéia iniciou as atividades em Campina Grande do Sul por outro motivo. O instituto atua nas áreas de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, prestando serviços nas áreas de meio ambiente e educação. Assim, procura por propriedades que possam virar reservas ecológicas. Geralmente esses terrenos possuem exemplares de Mata Atlântica.
A propriedade de Tita na região tem características que foram levadas em consideração na hora do Idéia fazer a proposta para transformar em reserva ecológica. Além de ser uma região de floresta de Mata Atlântica, o terreno de 51 hectares possui cavernas e trilhas. Assim, a costureira disponibilizou 30% da propriedade para transformar em reserva. Como benefício, ela terá diminuição nos valores dos impostos e também receberá verba para ser integralmente disponibilizada para a conservação da área. "O terreno era do meu marido que recebeu em uma herança. Ele era contra desmatar e queria preservar o ambiente", conta Tita.

Contribuição particular

Criar novas reservas ecológicas privadas é o objetivo do Idéia Ambiental. Com a verba de empresas apoiadoras e os descontos nos impostos, o acesso aos proprietários ficou mais fácil. Mesmo assim alguns não aceitam a idéia de serem obrigados a manter o terreno em uma reserva ecológica para o resto da vida. Em algumas reservas são desenvolvidos projetos e estudos sobre a natureza da região. Em outros lugares são avaliados projetos com potencial turístico e também de educação e pesquisa. A verba também vem do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação SOS Mata Atlântica. Outros cinco terrenos nos municípios de Morretes, Antonina e Quatro Barras irão virar reservas em breve.
"O foco de conservação visa o potencial de recuperação da área. Mas em uma escala regional está o contato com outra reserva ou algum rio", explica o biólogo André Magnani Xavier de Lima, gerente do Idéia, sobre como é feita a escolha das reservas.
Outro fator que colabora para o proprietário aceitar o projeto da terra virar uma reserva é o fato dele não poder desmatar nenhum exemplar da Mata Atlântica. "Com o aumento da fiscalização do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), desmatar esta vegetação ficou mais difícil", explica Lima.

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