Segundo a professora e mestre em sociologia Célia Regina Jede, o padrão de estética contemporâneo é o da boneca Barbie, impossível de ser reproduzido em um ser humano devido a suas medidas irreais. Ela diz que cada década inaugura um novo padrão de beleza. ''A sociedade se reflete na corporalidade dos indivíduos'', teoriza.
Hoje a maioria das pessoas trabalha sentada, sob uma luz artificial e consome fast-food. O produto desta combinação é um indivíduo obeso e de pele branca, no entanto, o padrão de beleza segue no sentido contrário, com corpos magros e bronzeados como objetos de desejo. ''Bonito é o que se destaca'', atesta.
A mídia reforça quais são os padrões estéticos mais bem sucedidos. Na sociedade em que vivemos, a beleza pode ser um determinante de ascenção social, em um mundo regido pelas aparências, a noção de felicidade é agregada à beleza física. Talvez por isso a valorização de conceitos como o de miss ou de modelo, onde os atributos físicos são essenciais.
Em sua pesquisa, Célia observou a mudança do modelo de beleza ao longo das décadas nos concursos de miss. Ieda Vargas foi miss em 1963. Com 1,68 metro de altura e 56 quilos, seu Índice de Massa Corpórea (IMC) era de 19,84. Esse padrão foi ficando mais magro ao longo dos anos até chegar em um nível perigoso. O IMC da Miss 2001, Juliana Borges, é de 17,28, considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um quadro de desnutrição.
Na opinião da socióloga, outro ponto que merece destaque na análise da sociedade das aparências é a facilidade com que hoje modificamos nossos corpos. Com o advento da cirurgia plástica, muitas pessoas têm buscado se enquadrar no padrão estético vigente. Porém, é bom lembrar que é através do corpo que criamos nossa individualidade. Ao abdicarmos de nossas características físicas, estamos mais próximos de abdicar também de nossa identidade. (A.A.)

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