EM BUSCA DA BABÁ PERFEITA - Escolha exige cuidados e atenção permanente
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sábado, 24 de setembro de 2005
Leandro Quintanilha<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma xícara de água quente, meia de água fria, três colheres de leite em pó, uma de açúcar e meio copo de... água sanitária. Era esta a receita das mamadeiras preparadas para uma recém-nascida pela empregada de uma família paulistana no início do mês. Os pais desconfiaram que a doença repentina da menina pudesse ter alguma relação com a criada. Câmeras escondidas fomentaram a suspeita e a doméstica acabou confessando o crime. A.M.S, 48 anos, tinha excelentes referências.
Casos como esse deixam mães e pais alarmados. Se referências não bastam, como escolher a funcionária que vai cuidar das crianças na sua ausência? Um provérbio inglês diz que ''a mão que balança o berço governa o mundo'', tamanha a responsabilidade atribuída à função. Por isso, há de se tomar alguns cuidados. Vários cuidados. Muito mais que checar referências.
''Não se pode contratar uma babá às pressas, apenas para resolver o problema de arranjar quem fique com os filhos'', afirma o pediatra Lauro Monteiro Filho, presidente da Associação Brasileira de Proteção à Criança (Abrapia) e autor do prefácio da edição brasileira do livro ''Como Proteger seus Filhos'' (Editora Sextante), de Gavin de Becker. Afinal, é a sa© úde física e psicológica das crianças que está em jogo. ''É preciso conversar muito, olhar no olho. Se possível, até conhecer a casa da candidata, os filhos dela.''
O bebê envenenado pela babá recuperou-se, sem sequelas, graças a uma lavagem estomacal. Poderia ter morrido. ''A empregada estava aumentando as doses no correr dos dias'', conta a mãe Margareth, 33, propagandista. ''Eu sempre a achei muito fria'', diz. ''Mas ela fazia o serviço direito e eu não achava importante mantermos uma relação emocional.'' Talvez esse tenha sido o erro.
atrás do avental Conhecer a babá de uma forma mais pessoal pode ser determinante. A fisioterapeuta Mara Velasco, 41, que já precisou contratar várias babás ao longo dos sete anos do mais velho e dos três da mais nova, dá a dica: ''É preciso haver empatia.''
As entrevistas são longas e detalhadas e ela chega ao requinte de oferecer uma balinha para a entrevistada para observar o quão rapidamente o doce é degustado. ''Se a pessoa engole de uma vez, pode ser sinal de ansiedade e irritabilidade'', teoriza.
O importante é conhecer bem a empregada que será incumbida de cuidar da criança ao longo de um período tão importante de seu desenvolvimento. ''Eu me preocuparia em conhecer as idéias que a babá tem sobre a vida'', ensina a psicóloga Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) da USP. As crianças tendem a assimilar crenças e preconceitos dos adultos com quem convivem. A professora do curso de babás da escola Mammy To Baby, Gladys Ruozzi, lembra outro pré-requisito básico (embora, muitas vezes, esquecido) gostar de crianças. ''Os pequenos dão trabalho e quem não tem vocação perde logo a paciência.''
O pediatra Monteiro Filho, presidente da Abrapia, ressalta que a escolha de uma babá confiável não garante a segurança dos filhos. Uma pesquisa feita pela entidade em 1999 revelou que apenas 2% dos casos de violência doméstica contra crianças foram cometidos pelas criadas. Pais, parentes e agregados foram responsáveis por 93,5% das agressões. É verdade que nem todas as famílias têm empregados, o que relativiza a estatística. Em todo caso, é preciso encarar um fato: nem sempre a mão cruel que balança o berço é a da babá.


