Em apoio ao aleitamento materno
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Juliana Gonçalves<br>Especial para a FOLHA 


Mesmo sendo um processo natural inerente aos mamíferos, a amamentação não é um ato instintivo no ser humano e tem de ser aprendido, tanto pela mãe quanto pelo bebê. Por isso, as mães precisam contar com o auxílio de profissionais capacitados a ensiná-las como extrair o melhor desse momento para si e para seus filhos. Foi para atender a essa demanda que o curso de Especialização em Aleitamento Materno foi criado pela UniFil.
Numa época em que o Brasil é considerado campeão mundial de cesáreas o último levantamento, feito em 2013 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), apontou que 55% dos partos no país foram cesariana a promoção da amamentação se torna ainda mais importante. Isso porque a cesárea eletiva antecipa um processo que deveria ocorrer naturalmente e, muitas vezes, dificulta o início da amamentação.
"A amamentação é um ato psicossomático complexo, uma questão interdisciplinar e não é fácil a assistência clínica porque envolve muitos saberes, capacitação específica e uma escuta empática. Amamentar não é fácil", explica o coordenador do curso, o médico Marcus Renato de Carvalho.
Carvalho se especializou em Amamentação nos Estados Unidos, há 20 anos, e hoje é consultor em Amamentação reconhecido internacionalmente pela certificação do International Board of Lactation Consultant Examiners (IBCLE). Segundo ele, a formação de profissionais especialistas no assunto é fundamental para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. "O aleitamento na espécie humana não é inato ou um reflexo, não acontece automaticamente. Amamentar é uma habilidade que se aprende. É uma cultura que precisa ser recuperada."
O curso levou cinco anos para ser planejado, tamanha a complexidade do conteúdo programático. O médico explica que, para apoiar efetivamente a mulher que amamenta, é preciso reunir conhecimentos de fisiologia, endocrinologia, anatomia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, entre outros. "Por isso, o curso tem um conteúdo programático abrangente, com uma abordagem integral e interdisciplinar", argumenta. Além disso, o curso trabalha a questão do aleitamento como política pública. "Queremos formar especialistas também capacitados na formulação e gestão de políticas públicas de aleitamento."
FALTA ORIENTAÇÃO
Para a rede de apoio e incentivo à amamentação, essa capacitação de profissionais é um grande reforço, já que ainda há muitas mulheres que não encontram esse auxílio nos serviços de saúde. "Se lá na atenção básica, na atenção hospitalar, tiver um profissional investindo na promoção da amamentação, já vai ser um grande avanço porque ainda temos mulheres que passam os nove meses da gestação sem receber nenhuma orientação sobre amamentação, apesar de toda a legislação existente voltada para esse apoio", avalia a coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU), Márcia Benevenuto de Oliveira.
Segundo ela, as preocupações com a amamentação começaram a ganhar força nos anos 1990 e ainda hoje existem mães que jogam o leite excedente fora porque não sabem que ele pode ser doado para outras crianças.


