Eles vão onde a música está
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Zeca Corrêa Leite 
Kraw PenasA violinista argentina Alícia Moran diz que as viagens são o caminho ideal para se conhecer novos professores e novas técnicas
Os trombonistas Marcelo Salmásio (esquerda), de São Paulo, e Antônio Henrique, carioca, contam que eventos como a Oficina são ótimos para fazer amizades
Os alojamentos oficiais recebem uma agitação constante. Muita música, mas também namoros, amizades e troca de informações fazem parte do ambiente
Das mais de 900 inscrições para os cursos da 15ª Oficina de Música de Curitiba, cerca de um terço do total é representado por estudantes que vieram de fora. Enquanto Milton Nascimento apregoa que todo artista tem de ir aonde o povo está, esta legião de rapazes e moças segue por outra trilha. Vai onde a música está.
A cantora argentina Veronica Gamberale, faz parte desse grupo. Especializada em música antiga e contemporânea, a soprano está em Curitiba para ter aulas de composições barrocas. Veronica explica que a música antiga tem poucos cursos, então é preciso aproveitar encontros como o da Oficina.
Este não é um problema localizado; é uma característica geral. Ela acaba de participar de um evento semelhante em Minas Gerais, onde encontrou colegas de outros países.
Marcelo Nalesso Salmasio, 17 anos, veio da cidade paulista de Espírito Santo do Pinhal, na divisa com Minas Gerais. Aqui encontrou seu amigo Antonio Henrique, 23 anos, do Rio de Janeiro. Os dois tocam trombone e terão aulas com Radegundis Fagundes. Eles enfatizam que festivais do gênero são importantes para o desenvolvimento profissional.
Além do aprendizado de novas técnicas, com diferentes professores, há também a troca de informações entre os colegas. Fazem-se novas amizades, cria-se um intercâmbio enriquecedor, eles dizem. Os dois amigos se conheceram há três anos no Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Você só aprende, é um acúmulo de informações que serão digeridas em casa. Lá você vai aprimorar, acrescenta Jone Santos Costa, 17 anos, trompista vindo do Rio de Janeiro. Pela terceira vez ele participa da Oficina de Música.
A violinista Alícia Moran faz sua estréia em Curitiba. Chegou domingo passado, junto da soprano Veronica Gamberale. As duas amigas afirmam que num determinado momento dos estudos a única opção é viajar para o contato com outros professores e técnicas. Movida por essa necessidade Veronica foi duas vezes à Europa: fez cursos na Espanha e Inglaterra. Alícia tem situação mais cômoda - professores internacionais costumam dar aulas de violino na Argentina, sem contar que Buenos Aires é uma cidade de bons maestros.


