Eles são famosos, mas ficam escondidos
A grande queixa dos figurinistas é que eles sempre ficam em segundo plano e que espectador nenhum sabe quem assina figurinos ou cenários de uma peça.
Dionísio Neto, autor e ator de Opus Profundum e Perpétua, sequência de uma trilogia que termina com Desembestai, chamou dois badalados estilistas para compor os figurinos de suas peças. Pouca gente soube, porém, quem eram.
Alexandre Herchcovitch criou as vestimentas futuristas de Perpétua, a história de uma prostituta e um jovem burguês no ano 2007. Por se tratar de futuro, o estilista não precisou se restringir a nenhum modelo pré-estabelecido. O figurino é intrigante, com formas não identificáveis à primeira vista, diz, citando a calça-que-parece-saia do personagem masculino. Há uma sensualidade, um jogo de esconde-revela, uma sofisticação, completa.
Alguns itens do vestuário foram adotados pelos próprios atores. Renata Jesion, em cena, não dispensa cotoveleiras, joelheiras e munhequeiras. Mais do que o lado estético, esta é uma preocupação com a minha integridade física, revela, já que muitas cenas são violentas.
Herchcovitch não se fez de rogado ao desenhar para Perpétua. Sem sequer assistir aos ensaios, o estilista preparou roupas que se mostraram inadequadas logo na estréia e precisaram ser substituídas. A cada apresentação, alguns trajes são alterados, o que cria um fator surpresa.
Já em Opus Profundum, um quase-musical com 12 dançarinos e cinco atores, é de Lorenzo Merlino a concepção da indumentária. São 57 trajes diferentes, pensados a partir da maior exigência do texto: intensa movimentação dos atores no palco. Merlino acompanhou muito de perto os testes das roupas durante os ensaios.
Nas peças únicas de suas coleções prêt-à-porter, explora um visual andrógino, sempre vanguarda com requintes de alta costura e tecidos garimpados em feiras de Bangladesh ou da Tailândia.





