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| Foto: Olga Leiria


‘É uma corrida contra o tempo’

  Em mais de 20 anos na corporação dos bombeiros, o cabo Sérgio Pereira de Brito – que atua há 17 como socorrista e condutor de ambulância – estima que já tenha salvo mais de dez mil pessoas em toda a sua carreira. Ele conta que nunca faltou a um dia de trabalho e tem orgulho em dizer que cuida de todas as vítimas da mesma maneira. ‘‘Não faço distinção entre pobre ou rico. Em um acidente, todos estão na mesma situação.’’
  Em um plantão de 12 horas, Brito chega a atender uma média de seis ocorrências. ‘‘É o tempo de ir até um lugar e já ir para outro. O período todo é assim, não importa se é dia ou noite. É uma corrida contra o tempo para conseguirmos estabilizar a vítima e chegar ao hospital com vida.’’ Além de socorrista, o cabo é condutor da ambulância, o que redobra sua responsabilidade.
  Felizmente, não foram poucas as vezes que conseguiu ter êxito. ‘‘Minha maior satisfação é chegar ao local do acidente e conseguir reanimar a pessoa, trazendo uma nova chance de vida à ela. Nessas horas vejo que meu trabalho fez a diferença; me empenho como se fosse um familiar.’’ O que, inclusive, já aconteceu quando sua mãe foi atropelada. ‘‘Não tem jeito, todos estamos suscetíveis’’, diz.
  Dentre as inúmeras ocorrências e tragédias, Brito conta que algumas ficaram marcadas na lembrança. ‘‘Uma vez, uma criança de 4 anos havia sido atacada por um cachorro em um patrimônio vizinho. Chegando lá, não conseguíamos passar por uma estrada de terra por causa da chuva intensa. O pai trouxe a criança nas costas até a ambulância. Dei o meu melhor para ajudar aquele menino’’, revela emocionado, acrescentando que o garoto sobreviveu. (Marian Trigueiros /Reportagem Local)


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| Foto: Ricardo Chicarelli


Dedicação é o ‘tempero’ de Otaviana

  ‘‘Não é só o remédio que recupera um paciente. A comida é importante para fortalecer e também trazer de volta a saúde’’, diz Otaviana de Souza Marin, cozinheira do Hospital Universitário (HU) de Londrina há 15 anos. Com quase uma vida inteira dedicada à culinária, foi no ambiente hospitalar que ela encontrou o prazer de cozinhar para outras pessoas. ‘‘Não existe segredo na comida do hospital, a não ser algumas restrições de alimentos. A comida é feita com a mesma dedicação de um restaurante tradicional.’’ O restaurante prepara cerca de 300 refeições diariamente.
  Atenciosa, Otaviana está entre os sete profissionais que dão vida à cozinha do hospital, cujo funcionamento é constante. ‘‘Não existe fim de semana, feriado, aniversários, dia ou noite. A cozinha não para’’, observa, lembrando de várias datas comemorativas que passou no hospital longe da família. Sacrifício que ela considera satisfatório, principalmente quando elogiam sua comida. ‘‘Não tem coisa melhor do que receber a notícia de alguém que nem te conhece dizendo que a refeição estava deliciosa. Melhor que isso é saber que o paciente recebeu alta’’, sorri.
  Apesar de não ter contato direto com os pacientes, Otaviana zela pela saúde deles como se fossem da família. ‘‘Para trabalhar na cozinha hospitalar é preciso colocar a alma, o coração no que está fazendo. Penso sempre que poderia ser um filho, um irmão, um parente próximo’’, compara a cozinheira.
  Por isso, não mede esforços para agradar – quando liberada pela nutricionista – e realizar últimos desejos. ‘‘Já aconteceu de estar no horário de ir embora e ficar mais tempo para fazer um bolo para uma criança com câncer. Preparei um bolo de chocolate com muito recheio e todo decorado. Foi a última coisa que ela comeu’’, conta, com os olhos marejados. (Marian Trigueiros /Reportagem Local)


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| Foto: Ricardo Chicarelli


Mais de 40 anos fazendo pão
  Aos 60 anos, José Bento Neto passou a vida fazendo pães. Foram milhares deles, servidos diariamente a famílias londrinenses, desde que, aos 14 anos, começou a ensaiar o ofício na antiga Panificadora Consul, que ficava na Duque de Caxias. O ano era 1966, e o aprendiz de padeiro havia interrompido temporariamente os estudos para trabalhar.
  ‘‘Naquela época a gente tinha que começar a preparar a massa no dia anterior para que as primeiras fornadas ficassem prontas ainda de madrugada. Às 2 horas os carrinhos puxados por cavalos começavam a chegar para ser abastecidos com os pães que seriam entregues de casa em casa.
No final do expediente, às 9 horas, eu estava tão cansado que muitas vezes não conseguia ir embora caminhando. Tinha que dormir um tempo sobre os sacos de farinha’’, conta.
  Os muitos anos em que trabalhou à noite, sacrificando as noites de sono, são lembrados por Bento Neto como os mais difíceis. Atualmente o padeiro tem uma rotina de trabalho mais leve, das 8 às 16 horas, na Panificadora Coliseu, localizada na zona norte.
  Com mais de 40 anos de profissão, Bento Neto é do tempo em que o processo de produção era todo artesanal. Não existia a chamada pré-mistura, que acelerou o período de preparo. A forma de assar o pão também mudou. ‘‘Antes a gente usava lenha para alimentar os fornos, e o processo era mais demorado. Levava de 25 a 30 minutos. Agora os fornos são a gás ou elétricos e os pães ficam prontos em 15 minutos’’, compara o padeiro, que herdou do pai a paixão pela profissão. (Silvana Leão/ Reportagem Local)

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