O aposentado José Carlos de Mello Rocha costuma dividir a história das eleições em três períodos, o das urnas de madeira, das urnas de lona e, finalmente, das urnas eletrônicas. Aos 77 anos, ele é o mesário mais antigo do Brasil, com 58 anos de atuação nesse serviço. Começou em 1950, logo que tirou seu título de eleitor. Tomou tanto gosto que nunca mais parou.
Ao longo desses anos ele pôde testemunhar algumas mudanças no comportamento do eleitorado curitibano. ''Antigamente o eleitor votava por vontade, hoje é por obrigação'', avalia. Outro sintoma negativo observado por ele é a quantidade de abstenções, que cresce a cada pleito. Na sua opinião isso se deve à descrença da população com o atual quadro político brasileiro. Por situações como essas é que Rocha é contrário ao voto obrigatório. Mas nem por isso é um pessimista. Quando perguntado qual a eleição mais importante de sua trajetória ele responde: ''É a próxima''. A futura geração de políticos também é vista com bons olhos por ele. ''Esse povo que está amadurecendo vai dar boa coisa''.
Outro fato observado por Rocha é a intensa participação dos eleitores com mais de 70 anos, que por lei não são obrigados a votar. ''Os idosos começaram a votar com 18 anos e não querem abrir mão desse direito''. Quem corrobora essa opinião é o aposentado Octávio Minozzo, de 79 anos, que nunca deixou de comparecer às urnas. ''O cara com mais de 70 anos tem mais experiência, sabe que a única maneira de mudar é através do voto'', afirma.
Outro que não abre mão do seu direito de eleitor é Sérgio Osório, de 82 anos, que afirma votar com o mesmo entusiasmo de décadas passadas. Para ele a descrença da juventude em relação ao poder do voto se deve aos maus exemplos que pontuaram a representação política dessa geração. Essa impressão é confirmada pelo estudante Bryan Lapa, de 16 anos. Apesar de já possuir esse direito, ele não irá votar nas eleições deste ano. ''É muita robalheira, muita falcatrua (dos políticos), isso desestimula os jovens''. Já a colega Ana Carolina de Sá Ribas, de 16 anos, acredita que a baixa adesão dos jovens às urnas se deve aos compromissos estudantis. ''Na época do vestibular não tenho tempo de ver o horário eleitoral'', justifica. (A.A.)

mockup