Quando o PT conquistou pela primeira vez a Prefeitura de Maringá, nas eleições do ano passado, o pensamento de muitos moradores era o mesmo. Vitória da oposição e fim do conservadorismo local. Uma análise na história política da cidade mostra, no entanto, que o eleitorado responsável pela vitória de José Cláudio Pereira Neto (PT) seguiu à risca a tradição das urnas de Maringá em que o prefeito não faz seu sucessor e que a renovação permanece como marca registrada.
A sucessão na prefeitura só ocorreu uma vez. Em 1964, João Paulino viu seu candidato Luiz de Carvalho sair vitorioso nas urnas. O eleitorado de Maringá gosta de renovar inclusive na Câmara de Vereadores, onde a média histórica de renovação é superior a 70%.
Conforme o historiador político e professor da UEM, Reginaldo Benedito Dias, outra evidência dessa tendência pôde ser percebida nas últimas quatro eleições municipais. Dias lembra que em três ocasiões candidatos que nunca tinham exercido mandato eleitoral venceram: Said Ferreira (1982), Ricardo Barros (1988) e Jairo Gianoto (1996). Desses três, apenas Said Ferreira tinha disputado eleições – para vereador em 1964 e para prefeito em 1976.
O historiador explica que a idéia do conservadorismo surgiu porque apesar do eleitorado mudar constantemente de candidato, as idéias administrativas e parlamentares eram quase sempre as mesmas. A mudança com a eleição de um petista está no fato de que agora a ideologia pode ser diferente até pelas características de atuação do próprio partido. Segundo Dias, qualquer análise histórica leva ao conceito de que a cultura política do município é bastante complexa. ‘‘O comportamento do eleitor de Maringá não cabe em uma etiqueta’’, afirma.

mockup