A sexta eleição para presidente e governador desde a redemocratização do País, com o fim do regime militar (1964-1985), espera nas urnas no próximo domingo, no Paraná, 7.601.553 eleitores - o sexto maior eleitorado do território nacional. Grande parte desse contingente, pouco mais de 67%, concentra aqueles que estão na faixa etária entre os 25 e os 59 anos, a chamada população economicamente ativa: nada menos que 5.097.655 eleitores, ainda que, nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a faixa dominante seja aquela composta por mulheres - 52,23%, contra 47,55% de homens - na faixa etária dominante entre 45 a 59 anos, e com primeiro grau incompleto.
  Conforme as estatísticas mais recentes do tribunal, no entanto, referentes a julho este ano, o público composto pelos eleitores idosos - a partir dos 60 anos - também é expressivo em seus 1.181.769 votantes, assim como os 1.322.129 compreendidos entre aqueles que possuem 16 e 17 anos, faixa à qual o voto ainda é facultativo, e entre os eleitores entre 18 e 24 anos.
Mensuração econômica do voto
  Já as informações sobre escolaridade fornecidas pelo TSE apontam para uma maioria de eleitores paranaenses com primeiro grau incompleto - 2.613.057, seguidos de 1.605.582 com segundo grau incompleto. Entretanto, o próprio tribunal enfatiza: esse tipo de dado, como é de responsabilidade do eleitor - que os informa quando do alistamento eleitoral ou em eventuais alterações cadastrais -, pode estar desatualizado.
  Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Clodomiro Bannwart, a análise dos dados do eleitorado médio paranaense aponta que, no pleito 2010, no estado, ‘‘o resultado político será mensurado pelo aspecto econômico’’. Segundo Bannwart, isso se deve, basicamente, ao fato de a concentração do eleitorado estar na faixa etária dos 25 aos 59 anos, ‘‘faixa que é típica de uma parcela economicamente ativa’’.
  ‘‘Correlacionando esse aspecto etário dominante com grau de escolaridade, é certo que esta tem influência na consciência eleitoral, uma vez que o dinamismo da economia proporcionou as condições para que se desse um salto de contexto das classes C e D, que concentra essa parcela significativa de baixa escolaridade’’, afirmou.
  Na avaliação do analista, a questão educacional é importante ao se verificar, por exemplo, que, se por lado ela é parte essencial da democracia e da construção da cidadania, por outro, se é usada para mensuração do voto, cada vez mais tem revelado outro panorama: ‘‘Que as pessoas vêm mensurando o voto sob uma perspectiva imediatista’’.
2010, o pleito do eleitor imediatista
  ‘‘Por essa ideia, o voto acaba sendo muito mais instrumento de troca do que de cumprir com uma função social, de direito de cidadania. Essa classe beneficiada economicamente e que percebeu melhorias materiais vai também mensurar sua decisão em uma perspectiva econômica’’, aponta. Segundo Bannwart, no caso da eleição parao governo do Paraná, esse aspecto pode ser verificado, por exemplo, na polarização entre Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PSDB) durante a campanha. ‘‘O que vinculou sua imagem ao governo Lula (no caso, o pedetista) cresceu nos últimos levantamentos e praticamente se igualou aos índices do adversário, que liderava - isso demonstra que temos de fato um eleitorado que faz a mensuração muito mais por um ponto de vista econômico que político, partidário ou ideológico’’.
  Um dos sintomas do chamado caráter imediatista que o estudioso aponta ainda haver no voto do brasileiro, salienta, são as campanhas constantes da Justiça Eleitoral para que não haja venda nem mesmo permuta do voto em troca de bens ou favores.
  ‘‘Em 2010 ainda temos uma campanha dessas, seis pleitos após o fim da ditadura - e em um tom quase pedagógico, quase que para instruir, mesmo, porque ainda há quem faça desse direito um instrumento de barganha. À medida em que há essa característica, e à medida em que há uma parcela de pessoas que vislumbra melhorias na qualidade de renda, o voto pode ser mecanismo para transformar ou manter esse status conquistado, por isso não deixa de ter esse lado econômico, digamos, estratégico’’.
  Se há perspectivas de mudança da consciência de eleitorado perante o voto? Bannwart arrisca: ‘‘A diferença desse voto imediatista é o voto ético, que, pelos dados do TSE, acaba circunscrevendo essa parcela de eleitores com ensino superior completo, que lê, que tem indignação contra os desvios instaurados no contexto político. Hoje, pelo menos, basta ver qual o impacto dos escândalos no governo federal (referentes à Casa Civil) na sociedade: são um atestado de que a população não se preocupa tanto com valores éticos, mas com ganhos com valores econômicos - ainda’’.

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