A novidade das eleições 2012 foi o candidato do PSD, Alexandre Kireeff, que começou com 3% das intenções de voto e, ao final, conquistou 25% do eleitorado, com vaga garantida no segundo turno, ao lado de Marcelo Belinati (PP). Para analistas políticos ouvidos pela FOLHA, pelo menos três fatores explicam a ascensão de Kireeff: as propostas de uma administração mais técnica e a postura de não ser um político; o voto útil do eleitor, que optou por um segundo turno; e a orfandade do eleitorado do tucano Luiz Carlos Hauly, que depois de quatro derrotas, desistiu de disputar a Prefeitura de Londrina.
  ‘‘O eleitor de Londrina aprendeu a identificar o PSDB como oposição ao belinatismo, mas, com a coligação entre PP e PSDB formada desde as eleições de 2010, que elegeu Beto Richa, o eleitor do Hauly ficou órfão’’, opinou o professor de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Miguel Cenci. A análise é corroborada por Clodomiro Bannwart, que também leciona Filosofia na UEL. ‘‘O Hauly deixou este vácuo e o Kireeff, com a proposta de uma administração mais técnica, acabou sendo identificado pelo eleitor com um substituto.’’
  Quanto ao voto útil, Bannwart acredita que o eleitor quer um debate mais aprofundado das propostas num segundo turno. ‘‘Londrina passou por uma crise ética, administrativa e política e ainda vive uma crise financeira. Os dois candidatos não alteraram seus planos de governo levando em consideração a falta de dinheiro; é como se a crise não existisse. Isso precisa ser melhor debatido.’’
  Os professores também analisaram a derrota dos demais postulantes à prefeitura. Márcia Lopes, para Bannwart, ‘‘carregou o pesado ônus’’ de oito anos de administração do petista Nedson Micheleti (2001-2008), que alcançou rejeição recorde; e o recente julgamento do mensalão. ‘‘A Márcia fez uma campanha personalista, tentando evitar o PT e, ao mesmo tempo, vinculando-se à presidente da Dilma. E o PT é um partido de militância. Não dá para se desvinular.’’
  Quanto a Barbosa, que se ganhasse não poderia ser diplomado em razão da cassação, ele ‘‘pagou o preço’’ pelos escândalos em sua administração, que ficaram mais evidentes após a investigação sobre a quadrilha que teria desviado dinheiro da compra de uniformes. ‘‘Ele obteve mais de 50% dos votos na última eleição e agora, 90% do eleitorado não acreditou na versão dele de que houve uma armação para difamá-lo ou derrotá-lo, de que foi uma vítima’’, avaliou Cenci. O quinto colocado, Cheida, tinha uma estrutura de campanha pequena e errou ao falar tanto de seu governo (1993-1996) e ‘‘bater no Marcelo’’ desde o início da campanha, analisaram os professores.

Apoios
  A partir de agora, a expectativa é pelas alianças para o segundo turno. Marcelo, que já faz parte da coligação de 14 partidos (ou 16, se considerados PSDC e PTC, que estavam com Barbosa e migraram para a campanha do pepista Marcelo), teria menos chances de conseguir a adesão de novos partidos. Kireeff, por outro lado, poderia conquistar o apoio do PT e do PMDB. ‘‘Mas são alianças que serão costuradas. Acredito que Cheida e Márcia apoiariam o Kireeff’’, ponderou Elve. ‘‘O apoio de Barbosa ninguém vai querer.’’ Para Bannwart, é preciso saber se os votos de Barbosa migrarão automaticamente para um dos dois candidatos ou se será necessária a participação do ex-prefeito no palanque eleitoral. ‘‘É um percentual interessante de votos, mas resta saber se alguém vai querer este apoio.’’

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