Mais de 23 mil candidatos disputarão cerca de 3.697 vagas em Câmaras Municipais de todo o Paraná no próximo dia 5 de outubro. Em Curitiba, de 858 candidatos serão eleitos apenas 38 vereadores. Conseguir o maior número de votos é uma batalha árdua, na qual se investem muitos recursos em propaganda e disposição para a campanha. Mas nem sempre ser o mais votado garante a eleição. Isso ocorre porque os vereadores são eleitos em um sistema chamado ''proporcional de representação'' que leva em consideração, em primeiro lugar, o conjunto de votos do partido para definir quem será eleito.
De acordo com Fabrício Tomio, cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), esse sistema tem, como ponto positivo, a possibilidade de proporcionar maior oportunidade de representação às minorias. Isso porque os votos são distribuídos proporcionalmente ao número de votos, ao contrário do que ocorre, por exemplo, em países como os Estados Unidos, onde a eleição é majoritária. Nesse caso, o partido mais votado leva grande parte das vagas e os partidos pequenos dificilmente conseguem eleger um representante.
''Para entender como os vereadores são eleitos, é preciso levar em consideração que as eleições são partidárias'', explica Fabrício. No sistema brasileiro, primeiro é calculado quantas vagas caberá a cada partido ou coligação. ''Para calcular, pegamos o total de votos válidos e dividimos pelo número de vereadores da cidade. Os votos válidos são aqueles votos em um candidato ou em um partido, excluindo os brancos e nulos. Bem, o resultado da divisão é chamado quociente eleitoral. Uma forma de dizer quantos votos 'valem' cada cadeira no legislativo'', ensina.
Depois desse cálculo é necessário ver quantas vagas cada partido ou coligação terá direito. ''Pegamos o total de votos de todos os candidatos do partido ou coligação e somamos aos votos na legenda do partido, ou partidos que formam a coligação e dividimos pelo quociente eleitoral. O resultado é o número de candidatos que cada partido ou coligação terá direito'', diz. Após descobrir quantos vereadores serão eleitos em cada partido ou coligação chega a hora de saber finalmente quem foi eleito. Aí sim, vale somente a preferência do eleitor. São eleitos aqueles que receberam o maior número de votos nominais. Se um partido tiver direito a cinco vagas, por exemplo, serão eleitos seus cinco candidatos mais votados. O mesmo vale para as coligações. (Mais informações no infográfico nesta página).
Após o preenchimento das vagas, por este cálculo, é possível que ainda sobrem vagas na Câmara Municipal que não foram preenchidas. A disposição dessas vagas se dá por uma regra conhecida como a maior média, da qual só participam os partidos que tiverem, pelo menos, um representante eleito. O cálculo é feito dividindo o número de votos que o partido ou coligação teve pelo número de representantes que ele já elegeu mais um. O cálculo é refeito a cada vaga a ser preenchida até que sejam definidos todos os vereadores da cidade.

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