ELEIÇÕES - Vereador deveria ser uma função sem salário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes e Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Maurício Furtado
Principais propostas
- Implantação de ciclovias em toda a cidade.
- Transformação do Rio Belém num parque urbano.
- Limitar o acesso dos carros ao Centro da cidade.
- Passe livre para estudantes.
FOLHA DE LONDRINA: Na sua opinião, qual seria o serviço da prefeitura que é a mais eficiente e, por outro lado, qual aquele que precisa de mais investimentos?
MAURÍCIO FURTADO: Uma coisa que acho muito positiva - e aí já me refiro a pessoa do prefeito - foi o cumprimento da promessa da sinalização dos radares. Parece uma coisa menor mais não é porque no Brasil falta muito esse compromisso com a palavra empenhada. E ele cumpriu assim que tomou posse. Acho que no campo da Guarda Municipal houve um grande avanço. Na rede de postos de saúde houve grandes avanços. No que se refere aos postos de saúde, o Partido Verde tem um entendimento de que médico é servidor público contratado e tem uma carga horária para cumprir. Não concordamos, por exemplo, com a figura das cotas de atendimento. Isso vem em benefício de uma categoria, mas prejudica a população toda.
FOLHA: Aproveitando que o senhor tocou neste tema, a Guarda Municipal pode ir até onde na questão de segurança pública?
FURTADO: Uma coisa que a polícia e a guarda municipal podem fazer é atuar em conjunto. A Guarda pode assumir algumas funções que hoje são desempenhadas pela PM como o policiamento escolar. A nossa proposta é dobrar o número de guardas.
FOLHA: O senhor acompanhou a polêmica a respeito do salário do prefeito de Curitiba, que é o maior entre as capitais do Brasil? O senhor acha este salário adequado e caso eleito como o senhor trataria essa situação?
FURTADO: Para falar bem a verdade acho esse assunto absolutamente secundário na ordem do dia. O salário do prefeito deveria ter como referência o salário dos funcionários de carreira da prefeitura, naturalmente acrescidos de alguma gratificação. Essa deveria ser a relação, até mesmo na Câmara Municipal. Prefeito e vereador não são funções públicas para serem exercidas na busca de satisfação das necessidades materiais. Se puder falar com toda a franqueza diria o seguinte: que não houvesse remuneração nenhuma para os vereadores como acontece em vários países do mundo.
FOLHA: Qual seria a sua prioridade na área de saúde, caso eleito?
FURTADO: A nossa visão de saúde é principalmente combater aquilo que propicia a doença. Temos problemas graves decorrentes da falta de saneamento, da péssima qualidade dos rios que hoje estão mortos. Temos recebido reclamações de pessoas que são agredidos em suas casas por ratos, mosquitos. Há problemas respiratórios decorrentes da poluição do ar. Então imaginamos que para ter saúde a pessoa deve ter um mínimo de informação de como ela pode se comportar na vida para não ter a doença.
Na questão dos rios por exemplo. Quando passamos perto dos rios de Curitiba a gente fica triste. Não tem como não ficar triste, porque é um negócio preto, fedido. Dali não pode sair coisa boa. Temos um projeto ambicioso para a cidade, que é a recuperação dos rios seguido de uma idéia mais ampla de reurbanização. Queremos transformar os rios de Curitiba em rios a céu aberto de água limpa e capazes de serem inspiradores de coisas.
O problema é que não se consegue combater o esgoto clandestino. Essa é uma questão importante que tem que ser combatida constantemente. Temos áreas de Curitiba como, por exemplo, ao redor do São Lourenço, que tem total disponibilidade de acesso a rede pública de esgoto e tem um monte de ligações clandestinas. O rio só será limpo quando a gente impedir de chegar o dejeto. Vamos construir uma galeria do lado dos rios, como o Rio Belém. Tudo que hoje cai no rio, irá chegar na galeria. E nessas galerias - e hoje existe tecnologia abundante sobre isso - vamos construir equipamentos de despoluição da água. O esgoto segue em frente, a água limpa vem para o rio, nos dois lados.
O Rio Belém passa lá pelo Centro. Daí vem a pergunta: vai abrir as ruas? Vamos abrir as ruas sim. Nos 22 quilômetros vai passar um rio de águas limpas. Acho que é muito pouco e queremos muito mais que isso. Não nos conformamos com um rio de água limpa no meio da cidade. Queremos transformar o rio no maior parque urbano do Brasil. Vamos realizar a arborização adequada, vias adequadas, equipamentos urbanos, criar um parque.
FOLHA: Falando no Rio Belém, uma parte importante desse rio passa em áreas que estão urbanizadas, que tem ruas. Como o senhor planeja criar esse parque sem dividir a cidade em duas?
FURTADO: Pretendemos que o Centro de Curitiba seja fechado ao acesso de automóveis. Ao redor do parque, em um perímetro de um quilômetro, não haverá trânsito de automóveis. O morador terá acesso. Transporte público, táxi, caminhão de carga e descarga entra. E o que vai acontecer com as pessoas que precisam ir para lá? As pessoas vão chegar e vão encontrar um sistema de transporte dentro dessa região gratuito, elétrico e de qualidade.
Isso irá melhorar a condição de existência aqui dentro. Não dá nem para comparar. Silêncio, menos confusão. Será um novo pólo de desenvolvimento para a cidade. Uma nova atração para negócios. Curitiba voltará a ser uma atração turística. Claro que essas obras todas demoram um certo tempo. Quanto é que vai custar isso? Custará uma parcela do que custa a Linha Verde. Projetos de natureza ambiental como esse, principalmente voltados para resgate de rios mortos tem financiamento no mundo inteiro, a longo prazo.
FOLHA: O senhor planeja outras restrições aos carros na sua administração?
FURTADO: Os carros não vão ter moleza na administração verde. Ao longo dos 72 km das canaletas os espaços destinados a estacionamento serão ciclovias. Nas ruas principais, faixas de estacionamento do Centro irão virar ciclovias. E cadê o carro? O carro fica em casa. Mas como vou deixar meu carro em casa? Transporte coletivo urbano de qualidade. Este é um ponto central para combater essa história do caos no trânsito. Quem anda de ônibus paga imposto e uma parcela do imposto vai para o carro. Isso não faz sentido. A gente tem que inverter esse processo. Se você tiver um ônibus legal vai deixar seu carro em casa, porque para chegar no Centro vai ser uma pertubação desgraçada independente do prefeito.
FOLHA: O senhor pretende implantar o metrô? Qual seria um cronograma de obras que o senhor considera viável? Qual seria o custo e como ele funcionaria?
FURTADO: O metrô deve começar. Não temos nenhuma meta de data para a inauguração. É uma obra de longo prazo, que deverá ser financiada a longo prazo. Em compensação ela oferece uma solução definitiva. As principais cidades do mundo têm metrô há mais de cem anos. O metrô permite, depois de instalado, a revisão tecnológica. É não-poluente, é seguro, é eficiente, é transporte de massa e tem um custo operacional baixo. O problema é começar. Não nos propomos a entregar o metrô. Assumimos o compromisso de começar a obra. Vamos trabalhar por isso desde o primeiro dia. Vamos entregar lá um buraco, talvez com algumas plaquinhas avisando aqui está sendo feito o metrô. Mas as pessoas vão saber que está sendo feito sim e que logo adiante haverá metrô.
FOLHA: Só para retomar, como é que o senhor conseguiria transformar o transporte coletivo em algo mais atraente para a população?
FURTADO: Mais gente vai começar a usar o ônibus sem dúvida. Começando pelos estudantes, independente de ser de escolas públicas ou privadas, porque serão isentados de tarifa. O dinheiro para isso está no orçamento da educação que tem que prever essa possibilidade. É aquela história que nós precisamos investir em educação. Isso porque pesquisas apontam que 47% dos jovens do Brasil querem ir embora. Não acreditam mais em ficar no País. É isso que a gente quer? Se não olhar para frente com um mínimo de esperança, aquela esperança que eles têm que ter, se não puder olhar e dizer que Curitiba está caminhando para um negócio diferente, aí nós também vamos embora.


