FOLHA DE LONDRINA: Na sua opinião quais são as competências da administração municipal?
LAURO RODRIGUES: A prefeitura tem que atender de tudo, todas as necessidades do curitibano: a saúde, a educação, o abastecimento, o transporte. A grande responsabilidade é o urbanismo. O prefeito tem que estar presente nos dia-a-dia das pessoas. Tem que conversar com os governos municipais da região metropolitana, com o governo federal. O prefeito e o governador não têm que ter bandeira. A bandeira deles é a população. Penso que com diálogo, a gente consegue tudo.

FOLHA: Que serviço da prefeitura o senhor avalia como eficiente? E qual precisa de mais investimentos?
RODRIGUES: O Mãe Curitibana é o melhor serviço que a prefeitura aplica hoje. Dos 80 mil partos feitos, 25% são de mães de 15 a 19 anos. Tem que criar um programa específico para mães jovens. Mas é um excelente programa. O Luciano Ducci está fazendo um excelente trabalho. Eu melhoraria o transporte coletivo que pode ser modificado em algumas coisas fundamentais. Hoje Curitiba tem a canaleta do expresso de Norte ao Sul, do Leste ao Oeste e do Centro ao Boqueirão. Eu colocaria algumas linhas alternativas, faria mais algumas vias exclusivas de ônibus e traria o Ligeirinho para dentro destas vias.
O Ligeirinho acaba causando mais congestionamento no centro. Faria também a diversificação de horários para carga e descarga e a sincronização dos sinaleiros para fluir melhor o trânsito. O metrô é necessário. Se começarmos em janeiro só daqui a nove, dez anos é que vai ficar pronto.

FOLHA: Qual sua proposta para a saúde?
RODRIGUES: O principal problema é a superlotação dos postos de saúde. A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) tem 1,3 milhão habitantes que se utilizam do nosso sistema de saúde. Como resolver? Fazendo convênios com essas prefeituras, evitando que eles venham a Curitiba, utilizem nosso sistema de saúde e Curitiba não seja remunerada por isso. Com esse convênio elas podem vir até o nosso sistema de saúde, mas vamos ser remunerados. Ou melhor ainda, ajudamos as prefeituras. Em Pinhais tem um hospital fechado. Reabriremos o hospital evitando que essas pessoas venham até a nossa cidade.
Vejo Curitiba como uma casa bonita no meio de uma favela. Se você não ajudar essas pessoas da favela, quando você sair elas vão invadir a sua casa. Elas vão tomar conta. Vão denegrir a imagem da cidade. Por isso ajudamos essas pessoas da RMC. O prefeito de Curitiba pode. Se quiser e tiver vontade política, pode. Eu faria isso. Acho que se o Beto quisesse, ele poderia fazer convênios e parcerias.

FOLHA: Caso eleito, o senhor pretende implantar algum programa de ampliação dos programas sociais do governo federal em Curitiba?
RODRIGUES: Sou a favor de ensinar a pessoa a pescar e não dar o peixe. Acho que tem que dar educação, formar bons profissionais. Se formar bons profissionais eles vão encontrar emprego. Um bom médico vai conseguir clientes. Um bom administrador vai ser aproveitado em uma empresa grande. O estudo não pode ser só a formação de engenheiros ou médicos, advogados. Tem que formar em cursos profissionalizantes. A escola técnica antigamente tinha curso de pedreiro, de padeiro, de eletricista.
Meu grande diferencial é ensinar as pessoas a serem profissionais. Se ela puder ser um bom pedreiro, vai ter trabalho em Curitiba. Acredito que a geração de empregos com educação é melhor do que dar uma bengala para a população. Ganhando R$ 150 ele vai lá almoça, come, se acomoda. Sou contra o paternalismo.

FOLHA: Qual a sua proposta para tornar o transporte público mais atraente para a população?
RODRIGUES: Qualidade de serviço. Quando você coloca mais carros na linha ou na rota dá para colocar mais ônibus à disposição. Hoje o ligeirinho anda no meio dos carros pequenos. E tem agora aqueles ônibus menores, que estão tendo problemas que só andando de ônibus para ver. Outro dia peguei aquele ônibus pequenininho para ver como é que é. Para sentir na pele, escutar. No ponto tinha um monte de gente. Mas qual é o problema? Peguei e, de sacanagem, dei uma nota de R$ 50,00 para o cobrador. Eu tinha dinheiro trocado, mas dei uma nota de R$ 50. O cobrador não tinha troco e me pediu para ficar fora do ônibus para aguardar. Não aceitei. É um problema de ajuste.
O motorista atuar como cobrador é bom? É bom, mas em horários de pico tem que ter ônibus maiores. O ônibus grande tem que funcionar de manhã e de tarde, nos horários de pico. O ligeirinho tem que ir para a canaleta. E esses ônibus pequenos nos horários intermediários. Pronto, não tem problema nenhum. O transporte circula melhor e vai ficar com uma melhor qualidade.

FOLHA: Qual é o seu projeto de metrô?
RODRIGUES: Não tenho um projeto de metrô. Quem tem é o Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba). É só implantar. Mas sou a favor das parcerias público-privadas. Acredito que nós não precisamos investir o nosso dinheiro. Tem várias empresas que querem investir no metrô em Curitiba. É só abrir a licitação. É viável, é mais econômico.

FOLHA: Quais são suas propostas para reduzir os congestionamentos?
RODRIGUES: Acabei de falar. Quando você tira o Ligeirinho da circulação do meio dos carros no Centro da cidade - onde as ruas são estreitas - você desafoga o trânsito. A flexibilização dos horários de carga e descarga coibindo caminhões de grande porte entrarem no Centro da cidade na hora de pico. E sou a favor dos binários e dos ternários. As ruas são estreitas. Se for mão única vai fluir muito melhor. É a minha avaliação.

FOLHA: Algum projeto específico para estacionamento regulamentado?
RODRIGUES: Sim, sim. Tenho um projeto que é o uso do parquímetro. Em vez dessas meninas ficarem só multando, checando o uso do Estar, vou colocar parquímetros. Parquímetros com seguro. Quando você coloca teu carro estacionado num Estar vai passar o Cartão Verde no parquímetro para pagar. E já vai estar embutido o seguro do teu carro. Hoje você deixa o teu carro no Estar e você não sabe se está arranhado, se foi roubado. Não tem seguro nenhum.

FOLHA: Mas alguém vai fazer a segurança desses carros?
RODRIGUES: O Centro tem câmeras. Temos que colocar mais câmeras. Na hora que você colocar o teu cartão a câmera vai saber que horas você chegou, a hora que saiu, quem mexeu no teu carro. E o seguro já está embutido no próprio custo do sistema.

FOLHA: Essa idéia parece estar um pouco na contramão das propostas que visam reduzir o número de carros no Centro da cidade.
RODRIGUES: Digo o seguinte: eu sou a favor da individualidade. Apesar de vivermos numa coletividade. Mas não posso impedir uma pessoa de dirigir o carro dela. Acho que quando o piá faz 18 anos, a coisa que ele mais quer é poder ter um carro. Por que eu vou dizer não? Se conseguir sustentar, tudo bem. Agora, pode sim usar o transporte coletivo. Como gerente da cidade tenho que proporcionar que ele possa usar o transporte coletivo, que possa usar o carro dele com maior qualidade.

FOLHA: O senhor tem algum projeto de contra-turno escolar? Quais seriam suas prioridades nessa área?
RODRIGUES: Depois do debate da Band percebi que as pessoas são muito solidárias. Daí pensei: por que a gente não abre os colégios municipais em horários alternativos e como exercício de cidadania, as pessoas vão lá ensinar? A gente pode criar uma Secretaria de Currículos Alternativos, de Cursos Alternativos. Podemos criar cursos para as pessoas para trazer a criança de volta para dentro da escola. Trazer o jovem, a família para dentro da escola.

FOLHA: No que essa proposta difere do projeto Comunidade Escola da atual administração?
RODRIGUES: A minha idéia é pegar pessoas normais, pessoas do bairro mesmo. Acho que essa é a diferença, mobilizar todos de uma cidade. Minha avó dizia o seguinte: quem corre por gosto não cansa as pernas. Então é simples, você está fazendo porque quer.

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